quinta-feira, 18 de outubro de 2007
sábado, 13 de outubro de 2007
Nota 10!!! Sem mais comentários!
Na Veja dessa semana
Dane-se a rabacuada
De André Petry:
O Brasil tem cumprido com extremo zelo a receita da desigualdade, e a Justiça brasileira tem feito sua parte com notável desembaraço.
Agora mesmo, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, compareceu à solenidade de inauguração dos primeiros juizados especiais nos aeroportos. É uma idéia esplêndida, sobretudo depois de meses a fio de caos nos aeroportos. Os juizados servirão para ajudar os passageiros a resolver de imediato complicações que se tornaram rotineiras, como cancelamento de vôos, overbooking, atraso, pagamento de hospedagem, extravio de bagagens. Cinco aeroportos já têm juizado: dois em São Paulo, dois no Rio e um em Brasília. Na semana passada, os jornais noticiaram os primeiros sucessos, com passageiros sendo indenizados na hora pela companhia aérea. Os juizados vão funcionar até nos domingos e feriados. É uma iniciativa que vai facilitar a vida de milhões de passageiros.
O que revela o viés desigual da Justiça brasileira é a ausência de juizados especiais em lugares onde eles são desesperadamente necessários. A Justiça não pensou em abrir juizados em frente às escolas públicas nos períodos de inscrição para vagas. Houve um tempo em que eram comuns as cenas de mães passando a madrugada em filas enormes para conseguir matricular os filhos. Nas filas das escolas, não se perde uma conexão, perde-se o futuro.
O que dizer dos terminais rodoviários dos centros urbanos? São rotineiras as filas para embarque, a superlotação, a indefinição de horários, a sujeira, a súbita retirada de carros. Nessas filas, em geral formadas por gente que paga a passagem com dinheiro contado para ir trabalhar, não se perde a viagem, perde-se o emprego.
E os hospitais públicos? Ninguém desconhece as filas à espera de atendimento, as cenas de pacientes agonizando pelos corredores em macas improvisadas ou no chão. Nessas filas, não se perde o avião, perde-se a vida.
Pelos aeroportos brasileiros não passam apenas pessoas abastadas. Há uma massa crescente de gente humilde. Também não são turistas viajando de férias, com todo o tempo do mundo para relaxar e gozar. A maioria viaja a trabalho. É justo que tenham um atendimento decente, respeitoso. A questão é saber por que as agruras dos brasileiros que se enfileiram nas escolas, nos ônibus, nos hospitais nunca conseguiram amolecer o generoso coração dos juízes brasileiros.
A indigência da desigualdade de tudo – de tratamento, de vida, de renda – produz a indigência do resto todo. Tal como, para ficar na bizarrice da semana, a miséria do debate sobre o apresentador Luciano Huck e o rapper Ferréz. Uma discussão rasteira, pois é de obviedade gritante que reclamar da bandidagem é um claro convite à civilidade e defender o banditismo é uma regressão à barbárie. Discussões desse nível fazem até banqueiro sonhar com a volta da luta de classes, que ao menos organizava as idéias em categorias morais.
Dane-se a rabacuada
De André Petry:
A Justiça não pensou em abrir juizados em frente aos hospitais públicos. Ninguém desconhece as filas à espera de atendimento, as cenas de pacientes agonizando pelos corredores em macas improvisadas ou no chão. Nessas filas, não se perde o avião, perde-se a vida
O Brasil tem cumprido com extremo zelo a receita da desigualdade, e a Justiça brasileira tem feito sua parte com notável desembaraço.
Agora mesmo, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, compareceu à solenidade de inauguração dos primeiros juizados especiais nos aeroportos. É uma idéia esplêndida, sobretudo depois de meses a fio de caos nos aeroportos. Os juizados servirão para ajudar os passageiros a resolver de imediato complicações que se tornaram rotineiras, como cancelamento de vôos, overbooking, atraso, pagamento de hospedagem, extravio de bagagens. Cinco aeroportos já têm juizado: dois em São Paulo, dois no Rio e um em Brasília. Na semana passada, os jornais noticiaram os primeiros sucessos, com passageiros sendo indenizados na hora pela companhia aérea. Os juizados vão funcionar até nos domingos e feriados. É uma iniciativa que vai facilitar a vida de milhões de passageiros.
O que revela o viés desigual da Justiça brasileira é a ausência de juizados especiais em lugares onde eles são desesperadamente necessários. A Justiça não pensou em abrir juizados em frente às escolas públicas nos períodos de inscrição para vagas. Houve um tempo em que eram comuns as cenas de mães passando a madrugada em filas enormes para conseguir matricular os filhos. Nas filas das escolas, não se perde uma conexão, perde-se o futuro.
O que dizer dos terminais rodoviários dos centros urbanos? São rotineiras as filas para embarque, a superlotação, a indefinição de horários, a sujeira, a súbita retirada de carros. Nessas filas, em geral formadas por gente que paga a passagem com dinheiro contado para ir trabalhar, não se perde a viagem, perde-se o emprego.
E os hospitais públicos? Ninguém desconhece as filas à espera de atendimento, as cenas de pacientes agonizando pelos corredores em macas improvisadas ou no chão. Nessas filas, não se perde o avião, perde-se a vida.
Pelos aeroportos brasileiros não passam apenas pessoas abastadas. Há uma massa crescente de gente humilde. Também não são turistas viajando de férias, com todo o tempo do mundo para relaxar e gozar. A maioria viaja a trabalho. É justo que tenham um atendimento decente, respeitoso. A questão é saber por que as agruras dos brasileiros que se enfileiram nas escolas, nos ônibus, nos hospitais nunca conseguiram amolecer o generoso coração dos juízes brasileiros.
A indigência da desigualdade de tudo – de tratamento, de vida, de renda – produz a indigência do resto todo. Tal como, para ficar na bizarrice da semana, a miséria do debate sobre o apresentador Luciano Huck e o rapper Ferréz. Uma discussão rasteira, pois é de obviedade gritante que reclamar da bandidagem é um claro convite à civilidade e defender o banditismo é uma regressão à barbárie. Discussões desse nível fazem até banqueiro sonhar com a volta da luta de classes, que ao menos organizava as idéias em categorias morais.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Mas pra propagandear o PAC, tem grana a vontade!!!
No Jornal do Brasil, hoje:
Prevenção a acidentes nas estradas em marcha lenta
Kayo Iglesias
Enquanto o número de acidentes nas rodovias federais cresce a toda a velocidade, a aplicação de verbas do governo na educação para o trânsito anda em marcha lenta. Dos mais de R$ 160 milhões destinados ao Fundo Nacional de Segurança e Educação do Trânsito (Funset) para este ano, R$ 95,5 milhões estão em reserva de contingência. Como se não bastasse, dos R$ 64,8 milhões restantes, só R$ 24 milhões (37%) foram aplicados até 10 de outubro - nos 10 primeiros meses do ano.
O dinheiro do Funset vem da arrecadação com multas de trânsito aplicadas por agentes dos Estados e municípios. Prefeituras e governos são obrigados a repassar ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) 5% do valor total arrecadado com punição de infratores.
No entanto, iniciativas de educar ou reeducar motoristas e usuários do sistema viário e prevenir acidentes não saem do papel por causa da burocracia. Para ter acesso ao dinheiro, os Estados têm que enviar seus projetos de educação para o trânsito e enviá-los ao Denatran.
O contingenciamento de parte da verba do fundo, criado em 1998, é imposto pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento para garantir o superávit primário nas contas do governo.
Levantamento feito pela organização não-governamental Contas Abertas mostra ainda que o governo gasta mais formulando as estatísticas do que agindo para diminuí-las. Dos recursos do Funset pagos até 10 de outubro, R$ 18 milhões estão sob a rubrica do sistema nacional de informações de trânsito. Na área de educação para a cidadania no trânsito, apenas R$ 1,6 milhão saiu dos cofres federais.
No levantamento da ONG constata-se o pior: nenhum centavo foi aplicado em 2007 na melhoria da fiscalização de trânsito pelos órgãos do sistema nem no fomento de projetos destinados à redução de acidentes.
O dinheiro do Funset vem da arrecadação com multas de trânsito aplicadas por agentes dos Estados e municípios. Prefeituras e governos são obrigados a repassar ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) 5% do valor total arrecadado com punição de infratores.
No entanto, iniciativas de educar ou reeducar motoristas e usuários do sistema viário e prevenir acidentes não saem do papel por causa da burocracia. Para ter acesso ao dinheiro, os Estados têm que enviar seus projetos de educação para o trânsito e enviá-los ao Denatran.
O contingenciamento de parte da verba do fundo, criado em 1998, é imposto pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento para garantir o superávit primário nas contas do governo.
Levantamento feito pela organização não-governamental Contas Abertas mostra ainda que o governo gasta mais formulando as estatísticas do que agindo para diminuí-las. Dos recursos do Funset pagos até 10 de outubro, R$ 18 milhões estão sob a rubrica do sistema nacional de informações de trânsito. Na área de educação para a cidadania no trânsito, apenas R$ 1,6 milhão saiu dos cofres federais.
No levantamento da ONG constata-se o pior: nenhum centavo foi aplicado em 2007 na melhoria da fiscalização de trânsito pelos órgãos do sistema nem no fomento de projetos destinados à redução de acidentes.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Alguem duvida????
No blog do Noblat, hoje.
De rabo preso com Renan
Há pouco menos de uma hora, no restaurante do ministério da Justiça, o senador Inácio Arruda (PC do B-CE), comentou com o empresário Sebastião Augusto Buani, concessionário do restaurante:
- Renan está tranquilo. Pelas contas que faz, apenas cinco senadores não têm o rabo preso com ele.
Arruda é da tropa de choque de Renan. Buani você sabe quem é. Ou esqueceu o concessionário de restaurantes no prédio da Câmara dos Deputados que pagou "mensalinho" para o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE)?
Sim, o Severino "Rei do Baixo Clero", que se elegeu presidente da Câmara e depois renunciou ao cargo e ao mandato para não ser cassado?
sábado, 6 de outubro de 2007
terça-feira, 2 de outubro de 2007
E ainda acerca da DRU...
Muito Pouco, Muito Tarde
GLÁUCIO ARY DILLON SOARES
A agitação a respeito do Plano de Segurança Pública não se justifica. É mais um caso de muito pouco, muito tarde. O descaso é antigo. Em junho de 2000, foi lançado o primeiro plano nacional de segurança pública. Elaborado por advogados e juristas, era uma listagem de metas e compromissos — mas nenhuma indicação sobre como seriam cumpridas as metas. Excluía as mortes acidentais, exceto as do trânsito. Elas são parte do conceito de segurança pública.
GLÁUCIO ARY DILLON SOARES
A agitação a respeito do Plano de Segurança Pública não se justifica. É mais um caso de muito pouco, muito tarde. O descaso é antigo. Em junho de 2000, foi lançado o primeiro plano nacional de segurança pública. Elaborado por advogados e juristas, era uma listagem de metas e compromissos — mas nenhuma indicação sobre como seriam cumpridas as metas. Excluía as mortes acidentais, exceto as do trânsito. Elas são parte do conceito de segurança pública.
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) é um órgão que tem feito muito com pouco. Padroniza a informação sobre crime e segurança (que encontra freqüentes resistências das polícias locais); realiza muitos cursos de treinamento; patrocina pesquisas sobre crime e violência e muito mais. Deveria ter sido criada 20 ou 30 anos antes. Recebeu muitas promessas de financiamento adequado.
Nunca foram cumpridas.
A despeito do crescimento da violência e do crime, órgãos essenciais para seu controle receberam menos durante o governo Lula do que durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. À primeira vista, os orçamentos da Senasp parecem iguais, mas não são. A diferença é a farra dos contingenciamentos. Em 2001, o orçamento da Senasp teve menos de 1% contingenciado (0,57%), ao passo que, em 2006, o governo Lula contingenciou 36%; em 2001, foram contingenciados R$ 2.323.243,00; no ano que passou, R$ 122.922.703,00, 53 vezes mais.
A farra dos contingenciamentos atingiu a Senasp em cheio. Em 2001, ela dispunha, para enfrentar e estudar os problemas do crime e da violência, de R$ 404 milhões. Era uma quantia ridícula; todos criticamos a escassez dos recursos. Não poderíamos imaginar que pudesse ser menor.
Foi.
O orçamento disponível em 2006 foi de apenas R$ 340 milhões, inferior em 16% ao de cinco anos atrás. Não sobrou nada. Gastamos o equivalente a R$ 1,80 por ano — menos de R$ 2 — para cadabrasileiro com a inteligência de segurança.
Tenho pelo ministro Tarso Genro o respeito que todos os bons administradores merecem. Foi excelente prefeito. Porém, "dar um pontapé inicial", após quatro anos e meio de governo, é uma proposta que fere a inteligência humana. Esse início, essa saída, deveria ter ocorrido há mais de quatro anos.
Neste governo, o futuro já foi prometido muitas vezes. Não dá mais para fugir dos problemas do presente prometendo milagres no futuro. Falta credibilidade.
Eu estabeleço relação entre a escassez de recursos para atividades essenciais, de um lado, e a corrupção do governo e o caráter conservador da política financeira, do outro. A Senasp recebe recursos da mesma ordem de grandeza que os lucros de pequeno banco envolvido no escândalo do mensalão, o BMG. Esse banquinho registrou lucro de R$ 382,8 milhões, em 2005, e de R$ 263 milhões, em 2006. Somente no primeiro semestre deste ano foram R$ 253,2 milhões. O lucro de um dos pequenos bancos envolvidos no esquema do mensalão, que é apenas um dos escândalos do atual governo, equivale ao que o governo federal gasta com a inteligência da segurança destinada a todos os brasileiros.
A crise só existe para alguns.
O presidente foi eleito e reeleito, com ampla maioria, à base de plataforma de esquerda. Porém, no poder, Lula e o PT não tiveram comportamento de esquerda. A política econômica pouco se diferencia da anterior.
Quid bono?
Quem ganha com isso? Ironicamente, tanto na análise de crimes quanto de maus governos é importante perguntar quem sai ganhando. O motivo dos crimes é muito importante no direito penal nos Estados Unidos e o ganho financeiro é um dos motivos mais freqüentes do crime. Quem se beneficia com isso que está aí? O Itaú obteve lucro líquido de R$ 4,016 bilhões no primeiro semestre de 2007. O lucro de um banco, em um semestre, é o equivalente a 18,5 vezes o orçamento total da Senasp para todo o ano de 2006. Poder-se-ia argumentar que o Itaú obteve esses lucros por ser excepcionalmente bem administrado. A explicação residiria na boa administração, um fenômeno singular. Mas o fenômeno não é singular: os lucros do Bradesco foram de R$ 4,007 bilhões no mesmo período. E os lucros de outros bancos também foram muito altos. Sobram lucros no setor bancário e faltam recursos mínimos para a inteligência da segurança nacional, para modernizar aeroportos, para fazer o grooving das pistas, para pagar os controladores, para garantir a segurança nas estradas de ferro etc.
De onde vêm os lucros do setor bancário?
Dos juros, particularmente dos pagos pelo setor público. Em 2005, foram R$ 143 bilhões e, em 2006, R$ 152 bilhões — já pagos ou jogados para o futuro. A incompetência do governo e a relação incestuosa entre o Banco Central e o setor bancário e financeiro trouxeram conseqüências terríveis para a população brasileira.Os brasileiros estão pagando com a vida. Nestes quatro anos e meio de Lula, perto de 200 mil brasileiros foram assassinados e mais de meio milhão perderam a vida de maneira violenta. Esses números poderiam ter sido muito menores. Bons governos salvam vidas.
Para enfrentar esses problemas, Lula anuncia que "já" estão disponíveis R$ 483 milhões para o Pronasci, menos da metade de 1% (0,0032%) do que o setor público pagou de juros aos bancos somente em 2006. É um deboche.
OPINIÃO
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 27 de setembro de 2007
GLÁUCIO ARY DILLON SOARES, Sociólogo, é pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de janeiro (Iuperj)
Ainda no Nassif...
Os desatinos da DRU
Do "Estadão": "MEC perdeu R$ 72 bilhões em 12 anos por causa da DRU: Mecanismo criado em 1994 permite ao governo usar 20% da receita como quiser".
A DRU (Desvinculação de Receitas Orçamentárias" foi criado em 1994 para desviar recursos orçamentários para pagamento de juros. Ao desviar recursos de áreas soiciais, prejudicou-as intensamente. Ao desviar de Estados, levou-se a exagerar nos aumentos no ICMS, aumentando violentamente a carga tributária.
Enquanto essa excrescência for mantida, não haverá Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) nem PAC da Saúde que resolvam.
Do "Estadão": "MEC perdeu R$ 72 bilhões em 12 anos por causa da DRU: Mecanismo criado em 1994 permite ao governo usar 20% da receita como quiser".
A DRU (Desvinculação de Receitas Orçamentárias" foi criado em 1994 para desviar recursos orçamentários para pagamento de juros. Ao desviar recursos de áreas soiciais, prejudicou-as intensamente. Ao desviar de Estados, levou-se a exagerar nos aumentos no ICMS, aumentando violentamente a carga tributária.
Enquanto essa excrescência for mantida, não haverá Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) nem PAC da Saúde que resolvam.
Deu no Blog do...
Opinião Pública vs Opinião do Público
Em seu artigo de hoje no "Valor", Fábio Wanderlei Reis monta um quebra-cabeças interessantíssimo sobre o que ele chama de unanimidade em torno do conceito de votação aberta.
O questionamento do professor é acerca da apropriação da "opinião pública" por alguns atores. Pergunta ele:
1. O que é mesmo "opinião pública", essa entidade difusa e mítica, indaga ele?
2. Qual é o papel da imprensa perante ela? Será a opinião pública diferente de "uma certa opinião bem-pensante e pouco sofisticada" que tende com freqüência a surgir como dominante na imprensa?
3. Como se relacionam opinião pública e eleitorado? Como conviver com a opinião pública mais atenta ao noticiário e aquela revelada pelas pesquisas de opinião, com amostragem estatisticamente representativa do eleitorado?
2. Qual é o papel da imprensa perante ela? Será a opinião pública diferente de "uma certa opinião bem-pensante e pouco sofisticada" que tende com freqüência a surgir como dominante na imprensa?
3. Como se relacionam opinião pública e eleitorado? Como conviver com a opinião pública mais atenta ao noticiário e aquela revelada pelas pesquisas de opinião, com amostragem estatisticamente representativa do eleitorado?
E, aí, o xeque mate:
"Em vez de pressões do "politicamente correto" da opinião pública, alguém defenderia que se tratasse de administrar o país com base em pesquisas de opinião? (...) Estas talvez ascultem melhor as opiniões privadas e autênticas dos eleitores, justamente pelo sigilo e por defendê-los, entre outras ciosas, da opinião pública, tal como no princípio democrático do voto secreto do cidadão" .
Em outras palavras, o fim do voto secreto nas votações do Congresso visaria ampliar o poder da opinião pública midiática, em nome da transparência e da subordinação dos parlamentares ao suposto desejo da cidadania. Mas quem reflete mais a cidadania: a opinião pública midiática ou o eleitor? Sendo o eleitor, como ficaria a lógica dos defensores do fim das votações secretas, quando confrontados com as decisões baseadas em consultas diretas à população?
Consulta direta significaria a ditadura da maioria.
Consulta direta significaria a ditadura da maioria.
E votação em aberto, expondo os parlamentares aos ataques da mídia, qual o nome que se dá?
domingo, 30 de setembro de 2007
Nota de domingo
Brasil: corrupção endêmica
O historiador Rafael Simões, da Transparência Capixaba, analisou os números da Transparência Internacional e concluiu: a nota 3 do Brasil (a máxima é 10) entre os países menos corruptos revela corrupção endêmica, que afeta todos os setores da sociedade. Em treze anos de estudos do índice da TI, a nota do Brasil em 2007 é menor que a própria média, já baixa. Subiu no governo Lula, mas não atingiu os 4,0 de 2001 e 2002.
30/09/2007 0:00
Combate possível
30/09/2007 0:00
Combate possível
Rafael Simões sugere criar um mapa da corrupção, identificando problemas e propondo soluções, integrando órgãos de combate à corrupção.
sábado, 29 de setembro de 2007
Staff da TV LULA (canal 51)
Por Reinaldo Azevedo:
Exijo Francenildo como ombudsman da Lula News
Pronto. Helena Chagas já anunciou a sua ida para o Lula News. Insisto: Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Helena já estão juntos; falta agora contratar o caseiro Francenildo como ombudsman no novo canal. E o sem-emprego Mangabeira Unger para fazer um bico, estrela do programa Nossa Língua Portuguesa — as dúvidas, ele as tiraria com Lula. Paulo Henrique Amorim pode ser estrela da versão oficial de Zorra Total. José Genoino conduziria um café filosófico sob o tema “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”. José Dirceu e Renan Calheiros, vestidos com aquela camiseta do Lobão (“Peidei, mas não fui eu”), dariam aulas de Educação Moral e Cívica.
Exijo Francenildo como ombudsman da Lula News
Pronto. Helena Chagas já anunciou a sua ida para o Lula News. Insisto: Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Helena já estão juntos; falta agora contratar o caseiro Francenildo como ombudsman no novo canal. E o sem-emprego Mangabeira Unger para fazer um bico, estrela do programa Nossa Língua Portuguesa — as dúvidas, ele as tiraria com Lula. Paulo Henrique Amorim pode ser estrela da versão oficial de Zorra Total. José Genoino conduziria um café filosófico sob o tema “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”. José Dirceu e Renan Calheiros, vestidos com aquela camiseta do Lobão (“Peidei, mas não fui eu”), dariam aulas de Educação Moral e Cívica.
Atentai bem, Ideli, atentai bem!
No Blog do Reinaldo Azevedo, comentando as manchetes da VEJA desta semana:
VEJA 3 – O caixa dois da turma de Ideli. E com grana de ONG...
O Senado vai instalar nesta semana a CPI das ONGs. Vocês sabem. O Brasil, criativo como é, criou as ONGGs: Organizações Não-Governamentais Governamentais. Nos últimos oito anos, elas levaram dos cofres públicos a fabulosa quantia de R$ 33 bilhões. Um caso chama a atenção e está sendo investigado pela Polícia Federal, segundo informam Ricardo Brito e Otávio Cabral. Vai um trechinho? Divirtam-se:“A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) recebeu 5 milhões de reais para promover cursos de treinamento profissional. Parte do dinheiro, já se sabe, foi parar na campanha política de um deputado do PT. Para justificarem os gastos, os dirigentes da federação falsificaram planilhas e criaram alunos-fantasma. O que mais chama atenção no caso, porém, é o eixo entre os principais envolvidos na fraude. Todos são correligionários, amigos ou assessores da senadora catarinense Ideli Salvatti, líder do PT no Senado.”
VEJA 3 – O caixa dois da turma de Ideli. E com grana de ONG...
O Senado vai instalar nesta semana a CPI das ONGs. Vocês sabem. O Brasil, criativo como é, criou as ONGGs: Organizações Não-Governamentais Governamentais. Nos últimos oito anos, elas levaram dos cofres públicos a fabulosa quantia de R$ 33 bilhões. Um caso chama a atenção e está sendo investigado pela Polícia Federal, segundo informam Ricardo Brito e Otávio Cabral. Vai um trechinho? Divirtam-se:“A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) recebeu 5 milhões de reais para promover cursos de treinamento profissional. Parte do dinheiro, já se sabe, foi parar na campanha política de um deputado do PT. Para justificarem os gastos, os dirigentes da federação falsificaram planilhas e criaram alunos-fantasma. O que mais chama atenção no caso, porém, é o eixo entre os principais envolvidos na fraude. Todos são correligionários, amigos ou assessores da senadora catarinense Ideli Salvatti, líder do PT no Senado.”
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Reforma tributária
Nas discussões relativas à reforma política brasileira, a reforma tributária trata-se de um tema fundamental, haja vista o modus operandi do Executivo nacional. Um debate que nao cite a temática corre o risco de ficar restrito a meras propostas de reformas eleitorais ou coisa que o valha, menos Reforma Política. Outra nevralgia também é o tal orçamento autorizativo, cedendo demasiada discricionaridade ao presidente de plantão e alimentando os mensalões da vida. Extraído da aba de economia do blog do Nassif, com formatação minha.
As três reformas tributárias
Há três propostas de reforma tributária em discussão no momento:
A primeira, a criação de um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) dual, cobrado de uma vez, no destino, mas com uma alíquota destinada à União, e outra aos estados. É a base da proposta do Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernardo Appy. Ainda não saiu do papel e sofre grande resistência dos estados.
Uma segunda proposta é a criação de um IVA federal e outro estadual, cada qual com uma estrutura de fiscalização própria. Essa posição é defendida pela maioria dos Secretários de Fazenda estaduais, reunidos no Confaz (Conselho de Política Fazendária). Apenas São Paulo e Sergipe ficaram contra a proposta, mas não contra a cobrança do imposto no destino (onde o produto é consumido). Segundo Mauro Ricardo, Secretário da Fazenda de São Paulo, a proposta paulista é a de aperfeiçoar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços). São Paulo defende que se privilegie o destino (o imposto ficando com o estado consumidor), em vez da origem, com uma alíquota interestadual de 4%. Com essa alíquota, segundo Ricardo, a guerra fiscal será minimizada. Haverá legislação única nacional, evitando concessão de incentivos por lei estadual.
Outra proposta é desonerar investimento na aquisição de ativos. E ampliar a base de tributação do ICMS para setores em que não incide tributação municipal, como aluguéis. A idéia é manter o ISS com os municípios – na proposta de Appy, o ISS seria incorporado ao IVA. Pelas contas de Ricardo, São Paulo perde de um lado, mas ganha com o fim da guerra fiscal, que o tem obrigado a concessões variadas.
Mesmo assim, Ricardo acha que dificilmente a reforma tributária sairá. Não existe uma liderança forte no governo, nem entre os secretários de fazenda estaduais. A única coisa que une os secretários é ser contra o IVA dual. A tendência acabará sendo jogar o pepino para o Congresso descascar, e o projeto ficar mofando por lá até que apareça alguém disposto a ir até o fim.
São Paulo é contra o novo IVA por questões práticas. A criação de um novo tributo sempre dá ensejo a aumentos de tributação – o caso do Pis-Cofins é claro. Além disso, novos tributos estão expostos a questionamentos legais, que podem inviabilizar sua cobrança. Já o ICMS é um imposto de 40 anos, consolidado e que exige apenas aprimoramentos, segundo Ricardo.
Escândalos "cirúrgicos", e não republicanos.
Extraído do blog do Luis Nassif (aba de economia):
O mau uso do escândalo
Coluna Econômica - 14/09/2007
Escândalos, tragédias, catarses, costumam ter papel pedagógico. Criam momentos em que podem se romper a inércia, o imobilismo, e abrir caminho para soluções, aprimoramentos institucionais.
Mas no Brasil os escândalos tem sido reiteradamente desperdiçados. Surge um fato espetacular, há um tiroteio da mídia, muitas vezes abusando de ilações e de falsas acusações, que contribuem para desmoralizar as acusações pertinentes. E o objetivo final, qual é? Na maioria absoluta das vezes liquidar com a bola da vez. E só.
***
A questão de lobistas representando fornecedores ou concorrentes de licitação pública existe em quase todos os países. No Brasil, é exagerado. A questão é que, após tantos escândalos, há um mapeamento completo dos focos de vazamento dos recursos públicos. Existem as compras de remédios, de equipamentos de informáticas, os prestadores de serviços (vigilância, limpeza), que substituíram os empreiteiros como os grandes investidores em campanhas políticas.
Os nomes desses fornecedores são conhecidos. Tem a Confederal, no governo federal, do ex-Ministro de Lula Eunício Oliveira; tem a Tejofran em São Paulo, um quase monopólio no atendimento dos contratos públicos. Em cada estado existem as empresas que controlam esses contratos, que bancam campanhas políticas.
Se poderia aproveitar o escândalo para reduzir a margem de manobra desse pessoal, ou o subjetivismo nas contratações. Mas não interessa, porque o objetivo das campanhas midiáticas não é melhorar o país, mas mirar alvos específicos.
***
Grande parte da corrupção pública decorre do fisiologismo – de entregar cargos a aliados políticos para garantir a governabilidade. Nenhum governo escapa desse jogo. Apenas alguns são mais hábeis.
Se poderia aproveitar o escândalo para discutir o modelo político, a profissionalização das empresas públicas. Mas não interessa. O que vale é apenas o show da semana seguinte. A análise de problemas é complexa, exige estudo, suor e paciência. Mirar uma pessoa e atirar é simples, traz resultados mais imediatos.
É essa a tragédia brasileira.
O mau uso do escândalo
Coluna Econômica - 14/09/2007
Escândalos, tragédias, catarses, costumam ter papel pedagógico. Criam momentos em que podem se romper a inércia, o imobilismo, e abrir caminho para soluções, aprimoramentos institucionais.
Mas no Brasil os escândalos tem sido reiteradamente desperdiçados. Surge um fato espetacular, há um tiroteio da mídia, muitas vezes abusando de ilações e de falsas acusações, que contribuem para desmoralizar as acusações pertinentes. E o objetivo final, qual é? Na maioria absoluta das vezes liquidar com a bola da vez. E só.
***
Tome-se o caso Renan Calheiros. Parte das acusações feitas a ele são de práticas comuns a grande parte de políticos e senadores. A questão das outorgas de concessões de rádios é uma delas. Muito provavelmente, se se for investigar quando recebeu o presente, se irá cair na gestão Pimenta da Veiga, ou mesmo Hélio Costa. O ex-Ministro das Comunicações Sérgio Motta considerava a despolitização do sistema de concessões um dos grandes desafios da democracia brasileira. Morreu, entrou Pimenta e as práticas continuaram.
Em vez de aproveitar a questão dos supostos “laranjas” de Renan, para uma cruzada em favor da moralização das concessões, a campanha de mídia visou apenas Renan. Lá em Maceió, mesmo, uma das concessões de televisão é do deputado Tomaz Nonô, do DEM. Mas nada se fala porque não interesse no momento.
Quando algum interesse for contrariado, quando as circunstâncias políticas exigirem, sacam-se os escândalos da algibeira e os colocam para provocar a indignação popular – e atender a propósitos nem sempre muito claros.
Em vez de aproveitar a questão dos supostos “laranjas” de Renan, para uma cruzada em favor da moralização das concessões, a campanha de mídia visou apenas Renan. Lá em Maceió, mesmo, uma das concessões de televisão é do deputado Tomaz Nonô, do DEM. Mas nada se fala porque não interesse no momento.
Quando algum interesse for contrariado, quando as circunstâncias políticas exigirem, sacam-se os escândalos da algibeira e os colocam para provocar a indignação popular – e atender a propósitos nem sempre muito claros.
***
A questão de lobistas representando fornecedores ou concorrentes de licitação pública existe em quase todos os países. No Brasil, é exagerado. A questão é que, após tantos escândalos, há um mapeamento completo dos focos de vazamento dos recursos públicos. Existem as compras de remédios, de equipamentos de informáticas, os prestadores de serviços (vigilância, limpeza), que substituíram os empreiteiros como os grandes investidores em campanhas políticas.
Os nomes desses fornecedores são conhecidos. Tem a Confederal, no governo federal, do ex-Ministro de Lula Eunício Oliveira; tem a Tejofran em São Paulo, um quase monopólio no atendimento dos contratos públicos. Em cada estado existem as empresas que controlam esses contratos, que bancam campanhas políticas.
Se poderia aproveitar o escândalo para reduzir a margem de manobra desse pessoal, ou o subjetivismo nas contratações. Mas não interessa, porque o objetivo das campanhas midiáticas não é melhorar o país, mas mirar alvos específicos.
***
Grande parte da corrupção pública decorre do fisiologismo – de entregar cargos a aliados políticos para garantir a governabilidade. Nenhum governo escapa desse jogo. Apenas alguns são mais hábeis.
Se poderia aproveitar o escândalo para discutir o modelo político, a profissionalização das empresas públicas. Mas não interessa. O que vale é apenas o show da semana seguinte. A análise de problemas é complexa, exige estudo, suor e paciência. Mirar uma pessoa e atirar é simples, traz resultados mais imediatos.
É essa a tragédia brasileira.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Sem comentários II.
No blog do Reinaldo Azevedo, acerca do debate com "a grife" Mano Brown:
Espetáculo grotesco na TV Cultura
Já participei muitas vezes do programa Roda Viva, como sabem. Escrever a respeito tem lá seus incômodos. Mas é do jogo. Alguns gostam da minhas intervenções; outros as detestam. Lá como cá, faço o que acho certo. Já tenho todos os amigos de que preciso. Se arrumar mais alguns, não reclamo. Mas não escrevo ou faço questões para ser simpático. Função de jornalista é incomodar, amolar o entrevistado. Ou tudo vira ação entre amigos. Nos tempos da ditadura, lembro do Canal Livre, de Roberto D’Avila, hoje com programa na Cultura. Como existiam “eles”, os ditadores, e “nós”, os que obedecíamos, havia certo sentido no clima de compadrio. A idéia era criar uma espécie de consenso do lado dos que se queriam “os democratas”. O jornalismo, é evidente, perdia muito, mas todos os absolutos eram relativos debaixo do regime. Fazer encontros, hoje em dia, que se confundam com convescotes é prestar um desserviço ao jornalismo e ao telespectador.
Surpresa
Brown – As outras organizações, talvez eu acompanhe de longe.
Grande momentoO grande momento do programa veio na seqüência. Numa pergunta oportuna, Paulo Lima quis saber: “E o que está acontecendo em Brasília? É um negócio em que você presta atenção, essa movimentação toda, esses escândalos de corrupção, você se liga nisso, acompanha de perto?
Espetáculo grotesco na TV Cultura
Já participei muitas vezes do programa Roda Viva, como sabem. Escrever a respeito tem lá seus incômodos. Mas é do jogo. Alguns gostam da minhas intervenções; outros as detestam. Lá como cá, faço o que acho certo. Já tenho todos os amigos de que preciso. Se arrumar mais alguns, não reclamo. Mas não escrevo ou faço questões para ser simpático. Função de jornalista é incomodar, amolar o entrevistado. Ou tudo vira ação entre amigos. Nos tempos da ditadura, lembro do Canal Livre, de Roberto D’Avila, hoje com programa na Cultura. Como existiam “eles”, os ditadores, e “nós”, os que obedecíamos, havia certo sentido no clima de compadrio. A idéia era criar uma espécie de consenso do lado dos que se queriam “os democratas”. O jornalismo, é evidente, perdia muito, mas todos os absolutos eram relativos debaixo do regime. Fazer encontros, hoje em dia, que se confundam com convescotes é prestar um desserviço ao jornalismo e ao telespectador.
Foi, infelizmente, o que aconteceu com a entrevista do rapper Mano Brown ontem. O resultado era esperado. Dos convidados, o único que poderia navegar na contracorrente era meu amigo José Nêumanne, que, visivelmente, a partir de determinado ponto da entrevista, desistiu de perguntar — na verdade, desistiu de participar do programa. Era inútil. Os demais — Maria Rita Kehl, psicanalista; Paulo Lins, escritor, professor de literatura e roteirista de cinema; Renato Lombardi, jornalista da TV Cultura; Ricardo Franca Cruz, editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil, e Paulo Lima, editor da revista Trip, estavam ali para incensar Mano Brown. O que se viu ontem é o exemplo do que se espera de uma TV pública? Tomara que não! William Bonner e Fátima Bernardes entrevistando os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin no Jornal Nacional, para muitos milhões de telespectadores, na principal emissora privada do país, trataram os dois políticos com o desassombro que uma bancada formada pela TV pública não conseguiu ter com... um cantor.
Assistimos foi à renúncia do jornalismo — além, claro, de um desempenho especialmente patético: o de Maria Rita Kehl, de que falarei mais adiante. Estou dando muita importância a uma entrevista de um rapper? Não! Estou dando importância ao nosso dinheiro, leitor, que sustenta a Fundação Padre Anchieta. Uma das muitas diferenças entre a Globo e a Cultura é que a primeira não lhe custa nada; é de graça. A outra é financiada com a grana que sai dos impostos que os paulistas pagam. O conceito de TV pública vem sendo propagandeado por aí como a grande solução e a grande novidade do Brasil. É mesmo?
Surpresa
Eu nunca tinha ouvido Mano Brown falar — e também nunca o ouvi... é “cantar” que se diz? A julgar (vejam notas que publiquei ontem) pelo que dele falam os “playboys” e as “playgirls” do jornalismo, esperava, sei lá, um verdadeiro “pensador do holocausto urbano” brasileiro; um Jean-Paul Sartre da filosofia que chacoalha nos ônibus e nos trens; quem sabe um Jesus Cristo vestido de motoboy. Nada! Mano Brown é só um Macunaíma com cara marrenta, um espertalhão que diz barbaridades na certeza de que uma certa aura de mistério o protege. Era como se o povo ele-mesmo tivesse sido chamado a sentar naquela cadeira, com todas as suas cicatrizes e suas histórias de privações. Esse é o mito mais caro e mais vagabundo da esquerda: a suposição de que o humilde adquire uma voz, assume a força de uma representação, e continua ainda a ser o... humilde que serve de modelo aos devaneios do burguês culpado, que sonha com o “bom rústico”, variante urbana do bom selvagem de Roussseau, o tonto. Era o que expressava o olhar embevecido, “interpretante”, de Maria Rita Kehl, de quem, por Deus!, falarei ainda hoje.
Se um dia tiverem um tempinho, ou um tempão, leiam Fausto, de Goethe. Um dos sonhos daquele homem culto, cínico e culpado é compreender a verdade camponesa. E ele compreende que o fundo da alma de todo homem talvez não seja digno de ser visto de perto. Na obra, isso tem algumas implicações que seriam também religiosas. Nem cabe aqui. Vou adiante só com Mano Brown. E com a falência do jornalismo, ao menos na noite de ontem e naquela roda sonolenta, mais morta do que viva, pronta à adulação. Por alguma razão que gostaria que os valentes me explicassem, Brown era digno de dar uma entrevista, mas não podia ser confrontado – se é que alguém ali tinha vontade de confrontá-lo. Nêumanne, antes de desistir, até tentou.
Dou muita importância a Brown? Não! Quem dá é o Roda Viva. Foi anunciado pelo apresentador do programa e presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, como “a voz da periferia pobre de São Paulo” que “ faz da sua música um protesto contra o racismo, o crescimento urbano caótico e a dura vida nos bolsões de pobreza da cidade”. Também chamou a atenção para o ineditismo da coisa: “Numa rara aparição na TV, Mano Brown está hoje no centro do Roda Vida. Ele é líder e vocalista dos Racionais MCs, grupo de rap que surgiu há mais de 20 anos no Capão Redondo, região de Campo Limpo, uma das áreas mais populosas e pobres da Zona Sul de São Paulo” Markun seguiu adiante: “A música dos Racionais MCs deixa claro o conflito entre o centro e a periferia, entre o Brasil dos incluídos e dos excluídos. O grupo se transformou numa expressão das idéias sobre consciência negra no Brasil e fez dessa percepção sua marca no rap brasileiro”.
Em seguida, entrou uma narração em off com a trajetória de Brown — enfim, um homem bom: “(...) já interrompeu shows para conter brigas na platéia e para fazer discurso contra o álcool, após ver um jovem bêbado entre os espectadores. Avesso às tecnologias, não sabe mexer em computador e se considera uma pessoa rústica. O caráter durão, herdou da mãe, que deixou com 12 anos a Bahia, após brigar com o pai dela. Classifica o povo brasileiro como pacífico, mas já afirmou que pegaria em armas para fazer uma revolução. Mano Brown raramente concede uma entrevista e quase nunca faz shows fora da periferia. Já declarou que seu verdadeiro público está lá; foi quem o colocou no topo e precisa ouvir o que ele tem a dizer. Atualmente, atinge também a classe média, falando de drogas e marginalidade”.
Como se vê, não era um rapper que estava ali, mas um líder, um representante do “povo”. Faz quatro meses, esse rapaz esteve no centro de um grave conflito de milhares da pessoa com a polícia, na Virada Cultural de São Paulo. Um dos motivos óbvios da confusão, além de suas letras francamente hostis à polícia (definida por ele ontem como “o maior inimigo” dos pobres), foi o fato de ele ter-se atrasado nada menos de 90 minutos para o show. Ninguém lhe perguntou uma vírgula a respeito. Acima, como se vê na apresentação da personagem, não se disse uma miserável linha. O jornalismo dava um jeito de limar os aspectos menos virtuosos de sua biografia. Bento 16, sentado ali, não seria poupado.
A resposta à primeira pergunta de Markun já denunciava o gigante. O jornalista quis saber se, nesses 20 anos, a realidade da periferia melhorou ou piorou. Dialético, Mano Brown mandou ver: “Eu diria diferente, diferente. Se eu disser que melhorou, pode parecer assim... Melhorou um grão de areia dentro do que a gente vê que precisa ser melhorado. Então eu me recuso a dizer que melhorou, mas também eu não sou não sou cego de não perceber mudanças. Mudou. Mudar, mudou, entendeu? Agora..." Aí Markun se encarregou de completar a frase, colaborando com o entrevistado: “Bem menos do que poderia ter melhorado”. Não só Mano Brown não é confrontado, como se dá um jeito de melhorar o que ele diz.
Aí entrou Maria Rita Kehl, a psicanalista deslumbrada com o seu “bom selvagem” – ou seu “bom rústico”. Ela lhe pediu uma reflexão sobre o MTST (o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o MST. O leitor pode se perguntar o que o rapper tem a ver com João Pedro Stedile. E daí? Kehl estava disposta a fabricar um revolucionário. Brown deixou claro que acompanhava de perto os movimentos do Capão Redondo. E só. Leiam trecho do diálogo:
Brown – As outras organizações, talvez eu acompanhe de longe.
Kehl – De longe, o que você acha do MST?
Brown – O que eu acompanho de longe é que tem um cara preso, certo? Lutando por uma causa que não é só dele, certo?, que é de milhões. Pelo que eu tou vendo, ele vai pagar sozinho, é isso?Kehl – Não sei, acho que não. Há muita gente presa.
Brown – Tão querendo botar o cara preso porque ele está lutando por uma causa que é de muitos. Eu acho que... É o José Rainha, é isso?
Kehl – Isso.
Brown – Eu tenho de dizer que eu sou um cara que leio pouco, né? Sou mal informado sobre muitas coisas. Mas as coisas que eu me interesso, eu me informo, entendeu?
O entrevistado, vá lá, tem o direito de dizer quanta besteira quiser. Foi convidado. Os jornalistas – e também dona Kehl, mesmo sendo psicanalista – é que têm de corrigir as bobagens. Pela ordem:
1 - José Rainha não está preso, minha senhora. Está solto. E promovendo invasões;
2 - É mentira! Não há “muita gente presa”. Não por causa de invasão de terra;
3 - Rainha é hoje um livre-atirador das invasões; foi suspenso pelo MST. Suas ações não são reconhecidas pelo movimento. É simplesmente vergonhoso que um programa jornalístico não se encarregue de fazer as devidas correções. Ora, não era por acaso. Vejam lá: Brown foi apresentado como um líder político. Só Nêumanne, além de Markun, poderia dizer ali a diferença entre a Constituição e o livro de receitas da Dona Benta.
Grande momentoO grande momento do programa veio na seqüência. Numa pergunta oportuna, Paulo Lima quis saber: “E o que está acontecendo em Brasília? É um negócio em que você presta atenção, essa movimentação toda, esses escândalos de corrupção, você se liga nisso, acompanha de perto?
Brown – Não de perto, mas acompanho.
Lima – O que você está achando, por exemplo, da forma como o presidente Lula tem se posicionado diante dessas confusões envolvendo o PT, dessa denúncias de corrupção envolvendo o PT, dessas denuncias de corrupção e tal? Eu vi uma entrevista sua aqui dizendo que, talvez, o Lula estivesse melhor fora daquela cadeira de presidente, que, na sua opinião, é a cadeia mais solitária do país. Queria que você falasse um pouquinho do Lula especificamente.
Brown – É, eu gosto do Lula, sou eleitor do Lula, apóio o Lula, falo bem do Lula em qualquer lugar e não espero benefício por isso. Não conto com benefício do Lula ou que venha do PT. Se vier, firmeza, mas eu não espero por isso. Eu acho que o Lula é um cara que veio de baixo, certo? ELE SABE QUE DAR A CABEÇA DOS AMIGOS DELE PARA OS INIMIGOS, ELE NÃO VAI DAR. ELE VAI ESPERAR A JUSTIÇA SE FAZER POR CONTA PRÓPRIA. ELE ESTÁ SE POSICIONANDO CERTO. ACHO QUE NÃO É DA ÍNDOLE DELE ENTREGAR UM AMIGO DELE QUE DEU MANCADA, ENTENDEU? Ele não faria isso. Ele sabe o que é que é isso. Ele não faria isso. Agora, ele vai deixar descobrir. Se descobrir, é pau no gato, é lamentável.
Na seqüência, o petista Paulo Lins tomou a palavra para lembrar que a corrupção está em todos os Poderes – não só no Executivo, claro, claro – e em todos os lugares, inclusive entre empresários, jogadores de futebol. E Lins queria saber (na verdade, já respondia) se é muito difícil falar a uma criança pobre que ela tem de ser honesta.
Brown – Eu chego a dizer que eu nem considero ele [o ladrão] desonesto. Diante da realidade e das armas que eles têm pra lutar, das armas que eles aprenderam como meio de sobrevivência, eles são honestos. EU TENHO CERTEZA DE QUE, COM OS PARCEIROS DELES, ELES SÃO HONESTOS; COM A FAMÍLIA DELES, ELES SÃO HONESTOS; COM OS MANO QUE TÁ PRESO, ELES SÃO HONESTOS, TÁ LIGADO? Eles são honestos com quem é honesto com eles. QUANDO VOCÊ FALA QUE UM ASSALTANTE DE BANCO É DESONESTO, VOCÊ TEM DE OLHAR PARA A SOCIEDADE... SE A NOSSA SOCIEDADE É HONESTA. EU COSTUMO FALAR PARA OS MANO, QUANDO A GENTE TÁ CONVERSANDO, QUE A NOSSA SOCIEDADE É CRIMINOSA, É OMISSA; ELA É CEGA QUANDO QUER, SURDA QUANDO QUER. Omissão é crime. Na categoria de criminosos, tá todo mundo na mesma, é igual.
Markun ensaiou uma contestação...ZINHA: “Mas a saída não seria lei pra todo mundo?” E Brown: “Mas a lei não é pra todo mundo. Nunca vai ser pra todo mundo.” Nêumanne ainda não tinha desistido e lembrou de uma coisa óbvia: a maioria do povo é honesta, trabalha. E acrescentou: “O herói brasileiro é o que trabalha (...), que levanta às 4h da manhã, que caminha a pé até o trabalho, lutando com a maior dificuldade para ser honesto". E Brown: “Parece letra de rap isso que você está falando. É utopia igual. Infelizmente, na realidade, a gente sabe que os heróis estão cada vez mais humilhados, sem direitos, sem escolas, sem hospital. Então os moleque passa a saber que ser herói não vale tanto a pena, entendeu? Herói que só apanha?”. Nêumanne lembrou: "Mas o cara também que vai para o crime, a vida dele é curta. Ele tem um lucro imediato, mas, a longo prazo, ele não tem um benefício assim tão grande, não é, Mano?" Mano não respondeu. Veio em seu socorro Paulo Lins – professor universitário, roteirista, “favelológo” que decidiu falar ex cathedra: “A periferia não é tudo igual; nem todo mundo é igual. Quando uma pessoa vai entrando para o crime, quando você olha, se você vive na favela, quando você vê a família, vê o aspecto, você já sabe quem vai entrar e quem não vai entrar. (...) Geralmente, quem vai para a criminalidade é aquele que está em pior situação."
E pronto. O próprio Mano Brown se preparou, à sua maneira, para um embate que não veio. Confessou isso. Ele era um verdadeiro encantador daqueles que chama “playboys” – e, mais do que tudo, da “playgirl” da noite: Maria Rita Kehl.
- Mano Brown acha que os criminosos são inocentes;
- Mano Brown acha que os inocentes são criminosos;- Mano Brown acha que Lula está certo em não entregar seus amigos;
- Mano Brown acha que bandido precisa é ser honesto com sua família e com seus amigos. O resto que se dane.
- Mano Brown está ocupando tempo numa TV pública para fazer a defesa de seus princípios civilizatórios;
- Mano Brown foi apresentado na TV pública como a voz dos oprimidos.
Ainda não estava contente. Para ele, o termo “traficante” está errado. O certo é “comerciante”. Ele não vê razão para prender o cara que vende cocaína e deixar solto o dono da Ambev – sim, ele afirmou isso com todas as letras. E ninguém disse nada. Questionou o que “fazia mais mal: um copo de 51 ou um cigarro de maconha”. E Paulo Lima não teve dúvidas: “um copo de 51”. Declarou, com a ajuda de Maria Rita Kehl, a polícia o maior inimigo do pobre. E, de novo, com ajuda da psicanalista e de Lins (parceiros no PT), lamentou a derrota de Marta Suplicy para Serra, definido como “aquele outro lá que não tá com nada”. Já sabemos que Brown gosta de Lula porque, afinal, ele não entrega os amigos. Está com tudo. Até aqui, estamos falando de um sujeito que faz a apologia descarada do crime. Mas ele também é um espertalhão.
Lombardi, outro jornalista presente, leu, quase comovido, o trecho de uma de suas letras. E quis saber o que ele significava. Sabem o que Brown respondeu? Que ele precisava rimar. Ou seja, não significava grande coisa. Paulo Lima perguntou sobre o tratamento dispensado às mulheres no rap (uma verdadeira escória) e sobre como era o seu relacionamento com a sua própria mulher, já que é um “caretão”, casado há muito tempo. “Minha mulher é uma coisa, e letra de rap é outra coisa”. Ah, bom... Putas são as mulheres dos outros. A dele, provavelmente, é honestíssima. Ele ainda teve tempo para defender o regime cubano; para dizer que negro é quem adota a “cultura” do negro (Existe uma? É o rap?), mesmo que, morando na periferia, seja branco”. Fiel a seu princípio de que a polícia é o principal inimigo, ainda refletiu: “Quem mora lá dentro e vira polícia não gosta daquilo”. Num dos posts, falei sobre a sua estranha gramática. Quando ele se esquecia da personagem, concordava sujeito e verbo e não devorava plurais. Quando se lembrava de ser Mano Brown, então baixava o homem rústico, que fazia Maria Rita Kehl sonhar.
Encerro
Foi um espetáculo grotesco. Menos por causa de Brown – afinal, o mais sensato da noite (já observei que Nêumanne desistiu de dar murro em ponta de faca) –, e mais por conta do jornalismo que se fez ali: deslumbrado, basbaque, adulador, contra qualquer noção de interesse público. Não! A polícia não é a principal inimiga do pobre – até porque composta também de homens pobres, que morrem aos montes. E alguém precisava contestá-lo. E não o fez. É uma vergonha que Lula (segundo Brown) não entregue seus amigos. E alguém precisava dizê-lo. E não o fez. É apologia da delinqüência chamar traficante de “comerciante”. E é uma obrigação moral afirmá-lo, mais ainda numa TV pública. E só se ouviu o silêncio. Se Brown, como ele próprio confessou, fala para “os mano” que a nossa sociedade é criminosa e considera que roubar não é crime – ele disse isso -, então está incitando a violência, fazendo a apologia do crime.Vendendo a quantidade de discos que vende, para os padrões brasileiros, este senhor já é um homem rico. E não há mal nenhum nisso, é claro. Mas fala como se a pobreza pudesse justificar todos os seus desatinos. Caso alguém fosse à TV defender o extermínio de bandidos sem julgamento, o Ministério Público, muito justificadamente, denunciaria o atrevido. Mas, com Brown, não vai acontecer nada. E ele está, na prática, defendendo a violência contra o homem comum. É o que fazem os bandidos. Eis o utopista apresentado com pompa por certa imprensa, encantada com seus dotes de verdadeira voz da periferia – uma periferia à qual ele próprio já disse não mais pertencer.
O que viu nesta segunda foi o conceito de público ou como aquilo que nao é de ninguém ou como aquilo que pertence à patota. No país governado pela burguesia do capital alheio, assistimos às lições de moral da delinqüência que põe em risco a vida alheia. E tudo pago com o dinheiro dos “playboys”. O Mano é Brown. E o jornalismo saiu com o nariz marrom.
domingo, 23 de setembro de 2007
Holding
No Blog do Noblat, pinçad da FSP:
Empreiteiras de obras da Universal financiam PRB
"O PRB (Partido Republicano Brasileiro), legenda do vice-presidente José Alencar e do ministro Mangabeira Unger (Planejamento de Longo Prazo), financiou-se quase que exclusivamente por meio de empreiteiras com grandes contratos com a Igreja Universal do Reino de Deus, em 2006.
O PRB foi organizado em 2005 como extensão política da Universal. Segundo a prestação de contas informada ao Tribunal Superior Eleitoral, R$ 1,51 milhão entraram nos cofres do partido vindo de oito empreiteiras contratadas pela Universal para fazer igrejas de porte médio e as chamadas "Catedrais da Fé", que podem abrigar até 8.000 pessoas sentadas.
As construtoras Liderança, MPC, Icec, Premo, Fujita, Precon, Efer e PBR doaram 94,3% de tudo que o partido recebeu no ano passado. Por conta dessa ajuda, o PRB, mesmo sendo um nanico com três deputados federais e um senador, foi um dos partidos que mais receberam doações privadas em 2006.
Os números são forte evidência de que a igreja fundada pelo bispo Edir Macedo vem usando o PRB para firmar-se na política. O próprio bispo, como pessoa física, doou R$ 10 mil.
A direção do PRB e as construtoras negam que haja algum canal privilegiado para doações entre partido e empresas. Mas um dos líderes da sigla, o senador e bispo licenciado da Universal Marcelo Crivella (RJ), diz que muitos dos doadores são "empresários evangélicos"." Assinante da Folha leia mais
domingo, 16 de setembro de 2007
Ensina pra gente, Mino (lambe saco) Carta
Comentário lido no Blog do Mino Carta (nao ponho o link desse lambe saco aqui)
enviado por: eduardo oliveira
Mino Carta, tenho 21 anos. Quando nasci, o presidente Lula já não era mais metalúrgico. Tenho certa dificuldade de visualizar o mesmo Lula que a imprensa chapa-branca. Antes de votar pela primeira vez, Lula já morava em uma cobertura que meu pai nunca sonhou em ter, e sua filha morava em Paris, cidade que ele nunca conheceu. Depois o filho de Lula revelou um mega-empresário. Como o sr. consegue ver um Lula que não é da elite? Ensina pra gente...
enviado por: eduardo oliveira
Mino Carta, tenho 21 anos. Quando nasci, o presidente Lula já não era mais metalúrgico. Tenho certa dificuldade de visualizar o mesmo Lula que a imprensa chapa-branca. Antes de votar pela primeira vez, Lula já morava em uma cobertura que meu pai nunca sonhou em ter, e sua filha morava em Paris, cidade que ele nunca conheceu. Depois o filho de Lula revelou um mega-empresário. Como o sr. consegue ver um Lula que não é da elite? Ensina pra gente...
sábado, 15 de setembro de 2007
A "oposição".
No blog do Noblat, hoje:
Toma lá, dá cá
De Lauro Jardim na coluna "Radar" da VEJA deste fim de semana:
"O senador Edison Lobão (DEM/MA) votou a favor de Renan Calheiros, apesar de o seu partido ter fechado questão em torno da cassação. Beleza. Nos dias que antecederam a votação no Senado, Lobão recebeu uma notícia que amoleceu mais ainda seu coração com grossas artérias governistas: seu filho, Marcio, foi indicado pelo Banco do Brasil para presidir a Brasilcap, empresa de títulos de capitalização. Marcio, aliás, é sócio do pai em quatro emissoras de TV no Maranhão".
Essa é a Respública...
Ainda no Claudio Humberto:
Sem intermediários
Antigamente, ao encerrar uma votação no plenário, o presidente da Câmara dos Deputados proclamava:- O item da pauta foi aprovado. A matéria agora vai ao Senado Federal [ou à sanção presidencial, dependendo do caso]. Após os últimos acontecimentos, o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que já sentou naquela cadeira, propõe novo texto para as circunstâncias:- O item foi aprovado. A matéria agora vai ao Supremo Tribunal Federal!
Freio na turma!!
No site do Claudio Humberto, hoje:
PRF faz da população refém
A Polícia Rodoviária Federal usou milhares de pessoas como reféns, ontem, em Brasília, a pretexto de protestar contra o governo. A "operação padrão" revistou quase todos os veículos no horário de pico. Os engarrafamentos gigantescos duraram horas. De nível médio, ganham salário inicial de R$ 5.900 e acham pouco. Casos de emergência médica não foram atendidos por culpa do caos. A direção da PRF não fala em punir os irresponsáveis.
Alô, PF
Há policiais rodoviários donos de guinchos mantidos próximos de postos da PRF. Claro, são os primeiros a chegar após qualquer acidente.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
A absolvição de Renan ou "Da hipocrisia e outros males brasileiros"!
Torcia pela condenação de Renan, mas não pelo conjunto da obra. Fosse por causa dela, teríamos de ter novas eleições! É que eu tinha a impressão que ele não seria um Roberto Jefferson, frouxo, fanfarrão... Eu cria que ele abriria o bocão! Mas ainda não foi dessa vez. E ele explica o porque: No título da nota acerca do assunto, Noblat afirma que "Renan intimidou senadores". Mas não vejo assim. Ele apenas apontou a hipocrisia da turma. Gosto sempre de citar uma das máximas do jornalista Lúcio Flávio Pinto, que diz que políticos quase sempre têm razão quando acusam, mas nunca quando se defendem. Enfim, vamos a Renan:
"- Senadora Heloísa Helena. A senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas. Deve mais de R$ 1 milhão. Tenho um documento aqui que prova isso. E nem por isso eu o usei contra a senhora - disparou Renan Calheiros ao se defender da tribuna do Senado pouco antes de ser absolvido pela maioria dos seus pares.
- É mentira, mentira - gritou a presidente do PSOL sentada no meio do plenário. Pouco antes, ela subira à tribuna para atuar como advogada de acusação.
Renan não deu bola para a reação de Heloísa. Em seguida, virou-se para Jefferson Perez (PDT-AM) e comentou:
- Veja bem, senador Jefferson Perez. Eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante dele] como funcionária do meu gabinete. Mas não o fiz.
Perez nada disse. Ouviu calado.
Então foi a vez do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Renan disse olhando diretamente para ele:
- A Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado. Eu não fiz isso.
Simon ouviu calado.
Registre-se que o clima de intimidação dos senadores começou a ser criado logo no início da sessão quando discursou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Ele foi o primeiro a falar.
Duas pérolas produzidas por Dornellles:
- Crime tributário não é causa para quebra de decoro.
- Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.
Dornelles foi secretário da Receita Federal no governo de João Figueiredo, o último general-residente da ditadura de 1964. E depois foi ministro da Fazenda do governo José Sarney.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
domingo, 2 de setembro de 2007
A fisgada!
No Blog do Noblat, há pouco:
"A única coisa que fiz foi servir ao Brasil", diz Dirceu
De José Dirceu, hoje, em São Paulo:
- O Brasil reconhece que estou sendo acusado, mas a única coisa que fiz, em toda a minha vida, foi servir ao Brasil e lutar pelos direitos do povo brasileiro.
"A única coisa que fiz foi servir ao Brasil", diz Dirceu
De José Dirceu, hoje, em São Paulo:
- O Brasil reconhece que estou sendo acusado, mas a única coisa que fiz, em toda a minha vida, foi servir ao Brasil e lutar pelos direitos do povo brasileiro.
A isca
Notinha postada ontem, no Blog do Reinaldo Azevedo, que disseca a estrutura do discurso petista:
O petismo não é um malufismo. É muito pior. Ou: do que é imoral e do que é amoral
O PT, além de carregar todos os males da esquerda — a começar da suposição de que seus partidários cometem crimes para o nosso bem —, associou-se a tudo o que havia de nefasto na chamada política tradicional, alçando o assalto aos cofres públicos a uma categoria de pensamento.
(...)
Vejam só: a cada vez que Paulo Maluf, para incredulidade de quase todos, nega as coisas que lhe atribuem, o sistema político se lembra de que tem de ser decente. Vale dizer: distingue-se o certo do errado. Por que ele nega? Porque ele sabe que a acusação que lhe fazem não é coisa bonita; ele não tem explicação pra ela, além do surrado: “é coisa dos meus adversários”. Ele não nos pede que o aceitemos com as suas, digamos, “particularidades”. Já com o PT é diferente. A síntese de seu discurso poderia ser esta: “Fizemos, sim; todo mundo faz, e vocês só estão nos acusando porque são preconceituosos”. Quando isso se dá, o mal se estabelece no coração do sistema.
A vez da vidraça.
No Estadão, hoje:
Culpa e responsabilidade
Fernando Henrique Cardoso
O editorial de O Estado de S. Paulo, na quinta-feira última, Nunca antes neste país, ressalta com razão que a decisão do STF mostrou caberem nos bancos dos réus um governo, um partido e um sistema político-eleitoral. A cortina de fumaça publicitário-eleitoral do disciplinado PT faz seus dirigentes dizerem em uníssono: não temos nada com isso, o julgamento não respinga em nós nem no governo, o mau comportamento é caso isolado, talvez de um só “companheiro”, o auto-imolado Delúbio, etc. São justificativas típicas de partidos autoritários: “o Partido”, em sua essência, é perfeito; os homens que o compõem são entidades à parte - podem ser pecadores, mas o partido não erra nunca.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Culpa e responsabilidade
Fernando Henrique Cardoso
O editorial de O Estado de S. Paulo, na quinta-feira última, Nunca antes neste país, ressalta com razão que a decisão do STF mostrou caberem nos bancos dos réus um governo, um partido e um sistema político-eleitoral. A cortina de fumaça publicitário-eleitoral do disciplinado PT faz seus dirigentes dizerem em uníssono: não temos nada com isso, o julgamento não respinga em nós nem no governo, o mau comportamento é caso isolado, talvez de um só “companheiro”, o auto-imolado Delúbio, etc. São justificativas típicas de partidos autoritários: “o Partido”, em sua essência, é perfeito; os homens que o compõem são entidades à parte - podem ser pecadores, mas o partido não erra nunca.
Por extensão, o governo desse partido, que se imaginava de pureza platônica, nada teria que ver com os erros de seus filiados, menos ainda a figura simbólica que o expressa, Lula. Este olha os companheiros e subordinados com a benevolência distante do “paizão” condescendente, sem qualquer responsabilidade por suas diabruras. Se erraram, pagarão o preço. A tarefa de julgar pertence aos tribunais, não aos membros do agrupamento.
Enquanto o tribunal não dá seu veredicto, lavam-se as mãos e se têm por bons os que estão “supostamente” envolvidos em tramas. Pouco importam os veementes indícios que levaram os juízes do STF a receber as denúncias, tão pormenorizadamente descritas pela acusação e pela relatoria. Até o julgamento, “quadrilha”, peculato, corrupção ativa ou passiva são invencionices da mídia e da oposição. Se vierem a ser condenados, dirão: “Que outra coisa esperar de um tribunal, senão acomodar-se com a mídia e com a elite?”
O truque ideológico é simples como o sofisma no qual se baseia, o da separação entre um partido ideal, inatacável, e uma prática pervertida. É certo que a “culpa” será decidida pelo tribunal, bem como as penalidades. É até provável que alguns dos acusados sejam inocentados, em parte ou totalmente. Mas a responsabilidade pelo que ocorreu (cujo juízo é político, não penal) recairá sobre o governo, sobre seu chefe e sobre todos os que, ao não reprovarem com energia os deslizes, assumem uma atitude leniente que convida à repetição das malfeitorias.
Jamais avancei juízos sobre a culpabilidade de cada acusado, à espera das provas (já evidentes em alguns casos) e da decisão da Justiça. Faço a devida distinção entre culpa penal e responsabilidade política. Mas não poupei a responsabilidade do presidente, que nunca repudiou os fatos ocorridos, negando evidências, nem a dos dirigentes partidários que dizem: “Não é conosco.” Com quem é, então? Com o Delúbio e com o Valério, agindo sozinhos? A quem beneficiaram os apoios e os votos? Obviamente, ao presidente, a seus aliados e à sustentação das políticas do governo.
Por conseqüência, presidente e governo, indiretamente, e as pessoas diretamente implicadas na trama respondem pelo que ocorreu, embora em instâncias diversas e com graus de culpabilidade e de responsabilização também diversos. Todos estão, sim, no banco dos réus. Alguns são réus da Justiça, outros perante a opinião pública e a História. E de nada vale o outro sofisma, malufiano: “Fomos absolvidos pelo voto popular.” Terão muitos políticos de má catadura nesta companhia. O voto dá poder, mas não absolve nem perante a Justiça nem perante a opinião pública; se o processo de responsabilização tivesse sustentação política, nem sequer poder daria. Mesmo dando-o, fica o estigma de um poder manchado por práticas corruptas.
A hipótese de que os maiores responsáveis políticos nada sabiam é de difícil sustentação. Houve reiteração no STF da presença do candidato à Presidência e de seu vice na sala contígua ao lugar em que era feita a compra do apoio do PL aos candidatos do PT. O então governador de Goiás reafirmou que dissera ao presidente saber de subornos. Ainda que os dirigentes nada soubessem na ocasião, depois do que hoje se sabe caberia a repulsa dessas práticas malsãs. O PT até hoje calou. E o presidente Lula outra coisa não faz senão confundir a opinião pública, sem nunca dizer quem o traiu, e sem condenar moralmente seus aloprados companheiros. O presidente deve à Nação (mesmo à parte dela que o “absolveu” pelo voto) um repúdio claro às transgressões.
Por fim, o sistema político-eleitoral. A verdade é que o sistema de voto, proporcional e uninominal, fragmenta os partidos, quase os dissolve, obrigando o Executivo a uma série de acordos, popularmente chamados de barganhas. Esses acordos, não implicam necessariamente suborno, compra, mensalões ou coisa que o valha. Mas implicam a cessão do controle de partes da máquina pública a interesses partidários, o que em si pode não ser um erro, se for para a implementação de políticas com as quais o governo ou os partidos aliados estejam de fato comprometidos.
Quando, como no caso atual, não se sabe qual é o programa do governo e os aliados nunca estiveram próximos das idéias dos governantes e, ainda por cima, se introduz a prática - essa, sim, inédita e criada pelos operadores do PT - de oferecer vantagens pecuniárias para obter apoios no Congresso, configura-se a tal “quadrilha” ou “bando”. Não há, pois, como negar a relação entre o sistema político-eleitoral e os desatinos praticados.
Mudemos, pois, o sistema. É por isso que, embora consciente dos problemas que o voto distrital acarreta (mas há formas para solucioná-los), me venho batendo por sua adoção. Ele quebra o atual sistema, que precisa ser quebrado porque está desmoralizado. Se é certo que há algum tempo era perceptível o embaraço que nosso sistema político-eleitoral causa ao bom êxito da administração e às práticas políticas do País, isso se tornou patente no relacionamento entre o governo atual e o Congresso. O presidente Lula se declara favorável ao voto distrital misto. Por que, então, não assume sua responsabilidade política de o defender, em vez de deixar o PT propugnar por “listas fechadas”?
Presidente, fale com franqueza, assuma posições claras em favor de uma vida política mais decente. Não serão sofismas nem milhões de votos que o absolverão perante a opinião pública se permanecer num silêncio conivente.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
sábado, 1 de setembro de 2007
Aparelho 4
No site do Claudio Humberto, hoje:
BB afasta diretor contra o '3'
BB afasta diretor contra o '3'
O diretor de Marketing do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, única voz discordante da campanha do "3", foi "remanejado" para uma outra diretoria. A campanha do "3" insinua o envolvimento do BB na tentativa de alguns petistas de alterar a Constituição para possibilitar um terceiro mandato do presidente Lula. Caffarelli foi substituído por Jussara Silveira de Andrade Guedes, apadrinhada pela turma do deputado Geraldo Magela (PT-DF).
sábado, 25 de agosto de 2007
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
La "Inspiracion"
No portal G1:
Chávez apresenta projeto para reeleição por tempo indefinido
Presidente venezuelano poderia ficar no poder até 2021. Ele afirmou que o país está iniciando uma nova era rumo ao socialismo do século XXI.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apresenta nesta quarta-feira (15) seu projeto de reforma da Constituição venezuelana, para incorporar à Carta Magna o projeto do "socialismo do século XXI", que incluiu, entre outras coisas, o conceito de reeleição presidencial por tempo indefinido.
"Estamos iniciando uma nova era, rumo ao socialismo do século XXI, e topamos, por exemplo, com as velhas estruturas que ficaram intactas na Constituição" de 1999, declarou Chávez à TV estatal.
"Estamos polindo e dando os últimos retoques" na proposta presidencial de reforma que será apresentada ao Parlamento, controlado pelos governistas. O presidente venezuelano disse que passou "horas e horas revisando documentos e velhas constituições" para preparar sua iniciativa. Segundo Chávez, a reforma tem três eixos principais: modificar a administração política territorial, denominada de "nova geometria do poder"; criar o "Poder Popular", expressado nos Conselhos Comunais; e a reeleição presidencial contínua. Chávez, na presidência há oito anos, pretende com a reeleição indefinida ficar no poder até 2021. "A partir de amanhã (quarta-feira), começa uma bonita e grande batalha. Vão montar um conjunto de artimanhas e falsidades para desfigurar o espírito da letra, como fizeram oito anos atrás (na Constituinte de 1999)", advertiu Chávez, citando "este trabalho do império e da oposição interna". O presidente venezuelano salientou que "cada vez que me meto na reforma constitucional, cada vez a quero mais. Aqui, eu a tenho em várias versões, grande, pequena, e mais um montão de papéis em que estamos trabalhando".
Aparelho 3
No ex-blog do César Maia (para cadastrados), hoje:
O QUE SERÁ, QUE SERÁ QUE ANDAM RESMUNGANDO PELAS ALCOVAS...?
Ontem Chávez anunciou a reforma da Constituição para ele ficar mais outro mandato. O Congresso do PT vai decidir por uma Assembléia Constituinte exclusiva para a Reforma Política. Ou seja, criar um mecanismo para o terceiro mandato de Lula.
Publicitários enviaram a este Ex-Blog este anúncio do Banco do Brasil. Afirmam que é uma mensagem subliminar com o número 3, com vistas a ir disseminando a idéia de um terceiro mandato. Decida pelo 3... mandato? Banco... da Sustentabilidade... do mandato? Será????
Aparelho 2
No Blog do Noblat, hoje:
Faça três coisas boas pelo Brasil. Uma delas: reeleja Lula
Sabe a última de Lula?
Reuniu ontem à noite no Palácio do Planalto os quatro senadores e a maioria dos deputados federais do PDT - além do presidente do partido Carlos Lupi, atual ministro do Trabalho.
Renovou seu propósito de tratar com igualdade os partidos aliados do governo. E em pelo menos duas ocasiões, ao se deter sobre as eleições municipais do próximo ano, foi direto, claro, objetivo.
- Em Campinas (interior de São Paulo), não quero nem saber o nome do candidato a prefeito do PT. Lá eu vou apoiar Dr. Hélio - prometeu.
Depois de perder as eleições de 1996 e de 2000, o deputado federal Dr. Hélio de Oliveira Santos (PDT) se elegeu prefeito de Campinas em 2004. É candidato à reeleição.
- Em Salvador, não quero nem saber quem será o candidato de Wagner a prefeito. Vou apoiar o João Henrique - antecipou Lula.
Bem, o candidato a prefeito de Salvador de Jacques Wagner (PT), atual governador da Bahia, é... Bingo, João Henrique! Lula sabe disso. Se até eu sei, quanto mais Lula...
Talvez ele tenha esquecido que João Henrique abandonou há pouco tempo o PDT e aderiu ao PMDB de Gedel Viera Lima, ministro da Integração Nacional. O PDT está furioso com o prefeito fujão.
A reunião de Lula com o PDT terminou pouco tempo depois de ele ter assegurado com uma segurança espantosa e temerária:
- Garanto a todos vocês que os partidos aliados do governo disputarão a eleição presidencial de 2010 com um único candidato. Garanto.
Alguns senadores e deputados saíram cabreiros da reunião.
Consideram que só haveria um nome capaz de concorrer à eleição presidencial de 2010 sem fraturar a complexa aliança política que hoje sustenta o governo de Lula.
Advinhe qual...
Sim, ele mesmo, Lula! Terceiro mandato para ele, pois.
Diariamente, faça três coisas boas pelo Brasil - é o que pede o Banco do Brasil em milionária campanha de propaganda nos jornais, revistas, rádio e televisão.
Olha o 3 aí, gente.
Mais adiante, se tudo der certo, uma das três coisas boas poderá vir a ser o terceiro mandato para Lula. Por que não?
Campanha esperta, essa...
Sabe a última de Lula?
Reuniu ontem à noite no Palácio do Planalto os quatro senadores e a maioria dos deputados federais do PDT - além do presidente do partido Carlos Lupi, atual ministro do Trabalho.
Renovou seu propósito de tratar com igualdade os partidos aliados do governo. E em pelo menos duas ocasiões, ao se deter sobre as eleições municipais do próximo ano, foi direto, claro, objetivo.
- Em Campinas (interior de São Paulo), não quero nem saber o nome do candidato a prefeito do PT. Lá eu vou apoiar Dr. Hélio - prometeu.
Depois de perder as eleições de 1996 e de 2000, o deputado federal Dr. Hélio de Oliveira Santos (PDT) se elegeu prefeito de Campinas em 2004. É candidato à reeleição.
- Em Salvador, não quero nem saber quem será o candidato de Wagner a prefeito. Vou apoiar o João Henrique - antecipou Lula.
Bem, o candidato a prefeito de Salvador de Jacques Wagner (PT), atual governador da Bahia, é... Bingo, João Henrique! Lula sabe disso. Se até eu sei, quanto mais Lula...
Talvez ele tenha esquecido que João Henrique abandonou há pouco tempo o PDT e aderiu ao PMDB de Gedel Viera Lima, ministro da Integração Nacional. O PDT está furioso com o prefeito fujão.
A reunião de Lula com o PDT terminou pouco tempo depois de ele ter assegurado com uma segurança espantosa e temerária:
- Garanto a todos vocês que os partidos aliados do governo disputarão a eleição presidencial de 2010 com um único candidato. Garanto.
Alguns senadores e deputados saíram cabreiros da reunião.
Consideram que só haveria um nome capaz de concorrer à eleição presidencial de 2010 sem fraturar a complexa aliança política que hoje sustenta o governo de Lula.
Advinhe qual...
Sim, ele mesmo, Lula! Terceiro mandato para ele, pois.
Diariamente, faça três coisas boas pelo Brasil - é o que pede o Banco do Brasil em milionária campanha de propaganda nos jornais, revistas, rádio e televisão.
Olha o 3 aí, gente.
Mais adiante, se tudo der certo, uma das três coisas boas poderá vir a ser o terceiro mandato para Lula. Por que não?
Campanha esperta, essa...
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Espetáculo do crescimento, PPP, PAC...
Dia desses ouvi, na Rádio do Senado, um pronunciamento do senador Mão-Santa, lembrando das tais PPP's... Hoje , no Ex-blog do César Maia (para cadastrados), há um comentário provocador sobre o assunto:
PROMESSAS ATUALIZADAS DE CAMPANHA -PAC-!
PROMESSAS ATUALIZADAS DE CAMPANHA -PAC-!
1. Lula está inovando: campanha permanente. Viaja para anunciar nos Estados obras do PAC. Agora, acuado pelas vaias , não viaja, mas recebe governadores para anunciar obras do PAC. Isso é uma inovação na administração pública: anunciar promessas, apenas promessas. Até aqui os presidentes quando anunciavam obras nos Estados ao lado de governadores, assinavam o decreto disponibilizando crédito orçamentário direcionado àquelas obras.
2. Agora isso mudou. Distribui um papel bem diagramado com obras e valores. Mas nada de abrir crédito orçamentário. Isso configura -simplesmente- promessas de campanha pós-eleitoral e nada mais. Enquanto os crédito todos não forem abertos, os governadores e prefeitos sequer poderão licitar as obras, pois os tribunais de contas exigem para as licitações, os recursos EMPENHADOS (ou seja, uma etapa após o crédito orçamentário, quando este é reservado e vinculado a um tipo de gasto). Uma farsa, pelo menos até que o crédito orçamentário específico e direcionado seja aberto. São apenas Promessas Atualizadas de Campanha.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Lula e suas lições sobre a vaia.
No Ex-blog do César Maia (para cadastrados), hoje
LULA EM 25/02/2005 NO ENCONTRO SOBRE EDUCAÇÃO!
"Eu me lembro de um episódio, eu estava num comício uma vez, em Florianópolis, e chamaram um companheiro de um partido político para falar. Tinha umas 10 mil pessoas naquela praça da matriz lá em Floripa, e quando um cidadão foi falar, todo o plenário começou a pedir para ele não falar e começou a vaiá-lo, e gritavam: 'fora, fora'. Ele pegou o microfone e ficou gritando: 'vocês não são democráticos, vocês não querem me ouvir, eu preciso falar'. Eu pus a mão no ombro dele e falei: 'companheiro, não é possível que você não entenda o que é democracia. Tem 10 mil pessoas querendo que você não fale e você quer que as 10 mil te ouçam, isso é democracia?' Democracia é você entregar o microfone, permitir que chamem o próximo orador, e agradecer ao povo, ainda, por esse gesto de bondade."
terça-feira, 24 de julho de 2007
Dia do 'Fora, Lula'
No site do Claudio Humberto, hoje:
"Paulistanos se mobilizam para pedir o impeachment de Lula, dia 4, em passeata na Av. Paulista. Vão colocar nariz de palhaço, roupas pretas, e levar fotos dos mortos nos acidentes, além de faixas e cartazes de protesto."
"Paulistanos se mobilizam para pedir o impeachment de Lula, dia 4, em passeata na Av. Paulista. Vão colocar nariz de palhaço, roupas pretas, e levar fotos dos mortos nos acidentes, além de faixas e cartazes de protesto."
Nem pra fazer um editorial?
Leio o editorial do jornal Diário do Amapá, de primor e erudição fora do comum. Além disso, cometeram uma façanha. Tiveram uma sintonia, foram de uma telepatia com o Fernando Canzian, da Folha. Mas quem não acredita 'nessas coisas', pode pensar em plágio mesmo. Se for assim, que feio para o Fernando, copiar editorial da Diario do Amapá, né?
Garis coletam mais de 40 sacos com lixo no meio do mundo
Micareta deu muito trabalho a garis após desfiles na área do sambódromo
No Jornal do Dia, hoje:
Agentes de limpeza funcionários da empresa enterpa, que presta serviços a Prefeitura de Macapá, começaram desde cedo coletar lixos deixados por brincantes do Macapá Folia.
O evento teve inicio na ultima sexta-feira (20) e terminou na madrugada de hoje. De acordo com os agentes, garrafas de vidro e plástico, papelão e outros tipo de materiais foram retirados das ruas onde as pessoas dançavam ao som de trios elétricos.
Pelo menos 45 sacos com lixo diversos foram amontoados somente ontem de manhã, sendo que a maioria era de garrafas.
Diferentes dos eventos anteriores, o Macapá Folia desse ano não registrou casos de violência graves, segundo a coordenação devido ao esquema de segurança montado para dá tranqüilidade aos brincantes. Apenas problemas relacionados a alcoolismo fizeram parte das ocorrências, registradas no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) no bairro Pacoval.
Um problema apontado pelos garis foi o mau cheiro provocado por urina devido aos banheiros improvisados não serem suficiente para atende a demanda.
Policiais do todos os Batalhões deram apoio para evitar improvisos, ajudado por agentes da Polícia Civil e agentes da Guarda Municipal que coordenaram o trânsito.
A polêmica sobre realização das micaretas em Macapá virou caso de justiça fato que várias ações por meio do Ministério Público do Estado e demais órgãos competentes, foram promovidas para retirar o evento da orla da cidade. Os moradores reclamavam da falta de estrutura e principalmente da poluição do rio Amazonas que recebia toda espécie de lixo. (José Maria Silva)
No Jornal do Dia, hoje:
Agentes de limpeza funcionários da empresa enterpa, que presta serviços a Prefeitura de Macapá, começaram desde cedo coletar lixos deixados por brincantes do Macapá Folia.
O evento teve inicio na ultima sexta-feira (20) e terminou na madrugada de hoje. De acordo com os agentes, garrafas de vidro e plástico, papelão e outros tipo de materiais foram retirados das ruas onde as pessoas dançavam ao som de trios elétricos.
Pelo menos 45 sacos com lixo diversos foram amontoados somente ontem de manhã, sendo que a maioria era de garrafas.
Diferentes dos eventos anteriores, o Macapá Folia desse ano não registrou casos de violência graves, segundo a coordenação devido ao esquema de segurança montado para dá tranqüilidade aos brincantes. Apenas problemas relacionados a alcoolismo fizeram parte das ocorrências, registradas no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) no bairro Pacoval.
Um problema apontado pelos garis foi o mau cheiro provocado por urina devido aos banheiros improvisados não serem suficiente para atende a demanda.
Policiais do todos os Batalhões deram apoio para evitar improvisos, ajudado por agentes da Polícia Civil e agentes da Guarda Municipal que coordenaram o trânsito.
A polêmica sobre realização das micaretas em Macapá virou caso de justiça fato que várias ações por meio do Ministério Público do Estado e demais órgãos competentes, foram promovidas para retirar o evento da orla da cidade. Os moradores reclamavam da falta de estrutura e principalmente da poluição do rio Amazonas que recebia toda espécie de lixo. (José Maria Silva)
Trio "Parada Dura"
Na coluna From, hoje:
Mototáxi
Mototáxi
Moto-taxistas de Macapá estão afinadíssimos com deputados Evandro Milhomen (PCdoB), Lucenira Pimentel (PR) e Sebastião Rocha (PDT). Por conta da predisposição do trio apoiar projeto de regulamentação da profissão, que tramita na Câmara dos Deputados. Estão de olho no restante da bancada
segunda-feira, 23 de julho de 2007
domingo, 22 de julho de 2007
"Onde a direita cristã e o fundamentalismo islâmico se encontram"
No Blog do Marcos Guterman, do Estadão, hoje:
A editora de Yahya inundou as caixas de correio de cientistas americanos com seu livro, como mostra o New York Times. A intenção é desconhecida, mas, para muitos deles, trata-se de uma forma de rejeitar a teoria da evolução como mais uma influência negativa do Ocidente sobre as crenças islâmicas."
"A direita cristã americana e o fundamentalismo islâmico estão em guerra aberta desde o 11 de Setembro. Mas há mais coisas em comum entre essas correntes ideológicas do que Bush e Bin Laden fazem supor. Uma delas é a idéia de que a teoria da evolução proposta por Charles Darwin é uma farsa. Para provar isso, um certo Adnan Oktar, vulgo Harun Yahya, da Turquia, produziu o Atlas da Criação. O caríssimo livro se dedica a mostrar que não houve evolução – os seres são hoje tais quais eram no passado remoto.
A editora de Yahya inundou as caixas de correio de cientistas americanos com seu livro, como mostra o New York Times. A intenção é desconhecida, mas, para muitos deles, trata-se de uma forma de rejeitar a teoria da evolução como mais uma influência negativa do Ocidente sobre as crenças islâmicas."
Momento Cultural: choro israelense

Um leitor do Blog do Luis Nassif recomendou a apreciação da arte da clarinetista israelense Anat Cohen e o Choro Ensemble, executando 'Migalhas de amor', de Jacob do Bandolim. De fato, trata-se de um choro lindíssimo e de uma execução primorosa. Deleite-se clicando aqui.
Turquia: resultados provisórios
No espanhol El Pais, hoje
Los resultados provisionales otorgan la victoria en las legislativas turcas al partido de Erdogan
El país busca superar la crisis institucional que vive desde hace meses con la renovación del Parlamento
AGENCIAS - Estambul - 22/07/2007
AGENCIAS - Estambul - 22/07/2007
Los islamistas moderados del Partido de la Justicia y del Desarrollo (AKP), del primer ministro, Recep Tayyip Erdogan, han ganado con un 47,6% las elecciones legislativas celebradas hoy en Turquía, con el 80% de los votos escrutados, según informa la cadena de televisión CNN.
Unos 42,5 millones de turcos, de una población de 71,8 millones, estaban llamados hoy a las urnas para elegir un nuevo Parlamento en unas elecciones anticipadas que convocó Erdogan a raíz de la polémica desatada por el relevo presidencial en la República.
Turquía trata de superar con estos comicios una de las peores crisis políticas e institucionales de su historia reciente. Todavía se desconoce cuándo y cómo se nombrará al futuro presidente de la República, a pesar de que el asunto ha sido, junto a una posible intervención militar en el norte de Irak, el principal tema de campaña.
Todo comenzó el pasado 14 de abril, cuando en torno a medio millón de personas se manifestaron en Ankara para protestar contra la eventual candidatura a la Jefatura del Estado del primer ministro. Su Gobierno, liderado por el AKP, contaba con la mayoría absoluta en el Parlamento, el órgano responsable de elegir al presidente. Cualquier aspirante al cargo que los islamistas moderados propusieran debía salir indefectiblemente investido después de una serie de votaciones en la Cámara de Diputados.
Catorce partidos políticos y 699 candidatos independientes competían por hacerse con el mayor número posible de los 550 escaños del Parlamento. Para poder acceder a la Cámara, los partidos deben conseguir al menos el 10% del total de los votos a nivel nacional, mientras que los candidatos independientes no están sometidos a esta limitación.
Hasta la medianoche no estará permitido vender alcohol y nadie, a excepción de las fuerzas de seguridad, podrá portar armas. El incidente más grave durante la campaña electoral fue el asesinato del candidato independiente Tuncay Seyranoglu, aunque nada tuvo que ver con motivos políticos, si no que se relacionó con un supuesto ajuste de cuentas.
Ainda na Turquia
No Estadão On Line:
País realiza hoje votação parlamentar, em meio à disputa entre secularistas e o governo islâmico moderado
Gabriella Dorlhiac
As eleições de hoje na Turquia não elegerão apenas o novo Parlamento, mas, muito possivelmente, definirão o futuro da nação turca. Enfrentando uma crise política há meses, o país está dividido entre a elite secularista, que controla o Exército, e eleitores do partido islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento (AKP), do governo.
Dividida, Turquia decide seu futuro
País realiza hoje votação parlamentar, em meio à disputa entre secularistas e o governo islâmico moderado
Gabriella Dorlhiac
As eleições de hoje na Turquia não elegerão apenas o novo Parlamento, mas, muito possivelmente, definirão o futuro da nação turca. Enfrentando uma crise política há meses, o país está dividido entre a elite secularista, que controla o Exército, e eleitores do partido islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento (AKP), do governo.
Apesar de recentes pesquisas indicarem vitória do AKP - que obteria 40% dos votos, quase 20 pontos porcentuais na frente do secularista Partido Republicano do Povo (CHP) -, a maioria absoluta do partido no Parlamento vem sendo ameaçada pelo medo do fortalecimento do islamismo no país, o aumento de ataques do grupo separatista curdo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) dentro do território turco e o elevado nível de desemprego - cerca de 10%.
Temendo ter de formar uma coalizão, o que dificultaria a aprovação da agenda do governo, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan afirmou na semana passada que renunciará se seu partido não conseguir mais da metade dos 550 assentos do Parlamento. No país, os partidos precisam obter mais do que 10% dos votos totais para serem eleitos.
Responsável por um crescimento econômico anual de 7%, o AKP enfrenta uma forte reação popular, que vê no fortalecimento do partido uma ameaça à tradição secularista do país. Em abril e maio, centenas de milhares de turcos saíram às ruas para protestar contra o AKP. Abdullah Gul, candidato governista para suceder Ahmed Necdet Sezer como presidente - cargo que é aprovado pelo Parlamento -, foi forçado desistir de sua candidatura após deputados da oposição bloquearem a votação. Em outubro, os turcos votarão num referendo para decidir se as eleições presidenciais passarão a ser pelo voto direto. Analistas, no entanto, não acreditam numa ameaça islâmica dentro da Turquia. “Islã e democracia são compatíveis. O problema hoje na Turquia é prioridade. Para os secularistas, não pode haver democracia com religião. Então, o secularismo se torna automaticamente a única prioridade”, afirmou ao Estado, por telefone, o especialista em Europa do Grupo Euroasia, de Londres, o italiano Wolfango Piccoli.
Aproveitando-se da insatisfação dentro do país, o Exército tem explorado politicamente as recentes mortes de soldados turcos em ataques do PKK no sudoeste do país, área tradicionalmente curda. Os militares cobram uma atitude mais dura do governo, pressionando por uma incursão no Curdistão iraquiano, onde está a maior parte dos rebeldes curdos. “O problema é que o governo de Erdogan não tem política definida para os curdos no Iraque ou na Turquia, o que o deixa vulnerável”, disse ao Estado, por telefone, o turco Ilter Turan, professor da Universidade de Istambul e presidente da Associação de Ciência Política Turca.
Com uma população de pelo menos de 30 milhões, os curdos estão espalhados pela Turquia, norte do Iraque, Síria e Irã. Só na Turquia, eles representam 20% da população de 73 milhões. Sem Estado próprio, os curdos e suas tradições foram duramente reprimidos pelos governos turcos. Liderados por Abdullah Ocalan, os curdos entraram em conflito aberto com tropas turcas entre 1984 e 1999, que resultou na morte de dezenas de milhares de pessoas. O governo da Turquia acusa os separatistas curdos de terem matado 30 mil turcos no conflito.
As negociações no início de 2000 para entrada da Turquia na União Européia, atualmente emperradas, também obrigaram o governo aprovar uma série de medidas pró-curdas. Até 2002, por exemplo, a língua curda era proibida. Hoje, já é permitido o ensino em escolas particulares para pessoas com mais de 18 anos. Casamentos mistos são cada vez mais comuns, e os curdos estão deixando o sudoeste do país, pobre e pouco desenvolvido, para viver em outras cidades.
“Apesar dos avanços, há indícios recentes de que a situação não mudou completamente. Relatórios de ONGs apontam inúmeras violações”, acusou Mustafa Gondugdu, da organização Projeto de Direitos Humanos Curdos, em Londres.
O especialista, que é curdo e cuja família deixou a Turquia nos anos 80, disse que as reformas foram apenas cosméticas. “Na semana passada, um tribunal permitiu uma investigação sobre o prefeito de Diyarbakir, Osman Baydemir, depois de ele autorizar o envio de convites escritos em curdo para um evento. A mídia ainda é pressionada a não cobrir matérias sobre a questão curda”, contou Gondugdu.
Cansados de anos de confrontos e isolamento, candidatos curdos adotaram nessa eleição um discurso mais focado em mudanças políticas e não no separatismo. Desde os anos 90, quando os primeiros deputados curdos eleitos para o Parlamento foram expulsos por manifestar sua origem curda, a população não tinha um representante parlamentar.
Para burlar a barreira dos 10%, os candidatos de vários partidos decidiram concorrer como independentes. De acordo com pesquisas, eles devem conquistar cerca de 30 assentos no Parlamento, onde tentarão ampliar os direitos curdos. Para Gondugdu, “o argumento de que os curdos estão muito mais integrados hoje em dia é complexo e dá uma impressão falsa. Afinal, você precisa integrar-se para sobreviver”.
Na Turquia
Na Folha On Line:
Turquia vota renovação do Parlamento em eleições antecipadas
da Efe, em Ancara
Cerca de 42,5 milhões de turcos, de uma população de 71,8 milhões, foram chamados neste domingo às urnas para escolher um novo Parlamento em eleições antecipadas convocadas pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.
Os colégios eleitorais abriram suas portas às 7h (1h de Brasília) no leste do país e uma hora mais tarde isso acontecerá na parte ocidental.
O fechamento dos colégios eleitorais será às 16h (10h de Brasília) no leste e uma hora mais tarde na zona oeste.
Quatorze partidos políticos e 699 candidatos independentes brigam pelas 550 cadeiras do Parlamento.
Para poder assumir as cadeiras, os partidos deverão conseguir pelo menos 10% do total dos votos, enquanto os candidatos independentes não estão submetidos a esta limitação.
As pesquisas apontam como vencedor o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, com uma maioria que oscila entre 29% e 48% das intenções de voto, segundo diversos institutos.
Os primeiros resultados provisórios, baseados nas pesquisas de boca-de-urna, são esperados para uma hora depois do fechamento dos 158.700 colégios eleitorais, embora as porcentagens mais decisivas sejam previstas para as 22h (16h de Brasília).
Segundo as leis eleitorais turcas, nenhuma emissora de TV poderá divulgar pesquisas até às 18h (meio-dia de Brasília).
A campanha eleitoral terminou sem maiores incidentes, com exceção do assassinato do candidato independente Tuncay Seyranoglu, que não teria motivos políticos e foi ligado a um suposto "acerto de contas".
Turquia vota renovação do Parlamento em eleições antecipadas
da Efe, em Ancara
Cerca de 42,5 milhões de turcos, de uma população de 71,8 milhões, foram chamados neste domingo às urnas para escolher um novo Parlamento em eleições antecipadas convocadas pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.
Os colégios eleitorais abriram suas portas às 7h (1h de Brasília) no leste do país e uma hora mais tarde isso acontecerá na parte ocidental.
O fechamento dos colégios eleitorais será às 16h (10h de Brasília) no leste e uma hora mais tarde na zona oeste.
Quatorze partidos políticos e 699 candidatos independentes brigam pelas 550 cadeiras do Parlamento.
Para poder assumir as cadeiras, os partidos deverão conseguir pelo menos 10% do total dos votos, enquanto os candidatos independentes não estão submetidos a esta limitação.
As pesquisas apontam como vencedor o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, com uma maioria que oscila entre 29% e 48% das intenções de voto, segundo diversos institutos.
Os primeiros resultados provisórios, baseados nas pesquisas de boca-de-urna, são esperados para uma hora depois do fechamento dos 158.700 colégios eleitorais, embora as porcentagens mais decisivas sejam previstas para as 22h (16h de Brasília).
Segundo as leis eleitorais turcas, nenhuma emissora de TV poderá divulgar pesquisas até às 18h (meio-dia de Brasília).
A campanha eleitoral terminou sem maiores incidentes, com exceção do assassinato do candidato independente Tuncay Seyranoglu, que não teria motivos políticos e foi ligado a um suposto "acerto de contas".
sábado, 21 de julho de 2007
Será verdade?
De um comentarista do Blog "Conversa Fiada", do candidato a pastor da igreja lulista, Paulo Henrique Amorim:
"furo jah enviei para Veja !!!!!!!!!! de fonte segura , o presidente do Brasil , Luis Inacio Lula da Silva , fez no sabado passado uma operacao plastica de palpebra e retirada de bolsa nos olhos !!!!!!!!! retirou os pontos na quinta feira !!!! Este eh o motivo pelo qual ele nao a pareceu em publico no dia do acidente !!!! a fonte eh quente !!! e lah de dentro , e vai estourar !!! vejam , comparem as fotos dos ultimos meses do pinguco e a de ontem !!!!!!!!! se nao verem a mudanca alem de petistas sao cegos !!!!!!!!!!!!!!!!!!"
Pode ser mentira, mas que aquela conversa de "tersol" foi esquisita, isso foi!
"Bombeiros não teriam liberado Santos Dumont"
Na Rádio do Moreno:
Denúncia que acaba de chegar à Rádio do Moreno dá conta de que o aeroporto Santos Dumont, no Rio, está funcionando com alvará provisório. É que o Corpo de Bombeiros do estado não teria aprovado as novas reformas do aeroporto.
Como Congonhas, seu funcionamento improvisado também teria sido uma imposição das empresas aéreas.
Gente, qual o tamanho realmente do poder dessas empresas?
Antes eram as empreiteiras. Agora são as empresas aéreas. Na verdade, as empreiteiras continuam. Só que, nas reformas dos aeroportos, elas se associaram à ganância das empresas aéreas.
Alô, Alô, CPI do Apagão, que tal criar a subCPI das empresas aéreas?
"De TAM não vôo mais"
No Blog do Noblat, hoje:
* O Airbus da TAM que explodiu após se chocar com um prédio da empresa em São Paulo, na terça-feira, já havia enfrentado problemas 26 dias antes do acidente. O avião não conseguiu decolar numa primeira tentativa de Recife para Natal no dia 24 de junho passado, abortou o procedimento e só seguiu vôo 40 minutos depois.
* Após reportagem publicada ontem pela Folha que informava, segundo relato de familiares, a presença de mais um tripulante no vôo 3054 -um piloto da empresa-, a TAM corrigiu a lista de passageiros e confirmou que Marcos Dias Stepanski, 27, estava no Airbus-A320. Com isso, sobe para 187 o número de mortos na aeronave. São 197 no total.
* A constatação de que a aeronave envolvida no acidente de terça-feira no aeroporto de Congonhas estava com seu reversor do lado direito inoperante ainda não levou a TAM a mudar seus procedimentos em relação a esse instrumento auxiliar do sistema de frenagem. A companhia aérea afirma que, enquanto não houver nenhum novo alerta ou orientação das entidades aeronáuticas e do fabricante, seguirá adotando a regra de que os reversores podem ser dispensáveis e que seus aviões podem voar temporariamente mesmo que tenham falha nesses aparelhos.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Se no sudeste não funciona...
No site do Cláudio Humberto, hoje:
Descontrole aéreo
Descontrole aéreo
Controlador de vôo aposentado da Aeronáutica, que pede anonimato, alerta para as "precárias condições" de trabalho em aeroportos distantes no Norte do País. "O pessoal do Acre, Rondônia e do Roraima está abandonado, houve casos de suicídio e internação psiquiátrica". Ele critica a contratação de novatos substituindo os insubordinados. Reclama que, ao contrário da Agência Nacional de Aviação Civil, pródiga em passagens a funcionários, controladores pagam do próprio bolso suas viagens de férias.
O Pastor Paulo Henrique Amorim e a nova religião
Daqui a pouco esses "caras" formalizarão a criação de uma nova religião, o Lulismo. A disputa para o bispado será acirradíssima. O candidato apresentado no post é fraco, mas está, desde já, tentando desbragadamente. No templo virtual do IG, ele se rasga. Mas é compreensível: IG, Tele'má', Canal 21, PlayTv, Lulinha... Huumm!! Mas parece que na Rede Record, ele é mais, digamos... "contido".
Confira as sandices do ... "jornalista" Paulo Henrique Amorim aqui.
Eis algumas das pérolas:
. A mídia conservadora (e golpista) derrotou o Presidente Lula por 10 a zero, na queda do avião da TAM.
.(O Jornal Nacional – o Jornal Nacional !!! – revelou que, desde sexta feira, o avião da TAM tinha um problema no reversor .... Deve ser culpa da falta de infra-estrutura do Governo Lula ...)
. Porém, a mídia conservadora (e golpista) só cobre a crise aérea e o apagão da infra-estrutura.
. Os indícios ? Não interessam.
. Para a mídia conservadora (e golpista) só interessa colar no Presidente Lula e no seu Governo a marca da ineficiência.
. A mídia conservadora (e golpista) ultrapassou, na queda do avião da TAM, todos os índices de fúria golpista que atingiu na crise do mensalão.
. Os indícios ? Não interessam.
. Para a mídia conservadora (e golpista) só interessa colar no Presidente Lula e no seu Governo a marca da ineficiência.
. A mídia conservadora (e golpista) ultrapassou, na queda do avião da TAM, todos os índices de fúria golpista que atingiu na crise do mensalão.
. Aquilo de que o Presidente Lula e este Governo mais precisam é de um porta-voz.
. Franklin Martins construiu – NO VÍDEO – uma imagem de credibilidade e de tranqüilidade.
. Porém, agora, parece ter submergido às tarefas – inúteis - de Ministro: cuidar da publicidade do Governo, e montar uma TV que tem tudo para ser um exercício de boas intenções com traço de audiência.
. Franklin Martins construiu – NO VÍDEO – uma imagem de credibilidade e de tranqüilidade.
. Porém, agora, parece ter submergido às tarefas – inúteis - de Ministro: cuidar da publicidade do Governo, e montar uma TV que tem tudo para ser um exercício de boas intenções com traço de audiência.
. E na hora em que a vaca vai pro brejo, aparece um porta-voz que ninguém conhece e que gagueja.
. Francamente, um porta-voz que gagueja ...
. Com o PT, o Governo Lula já sabe que não conta."
. Francamente, um porta-voz que gagueja ...
. Com o PT, o Governo Lula já sabe que não conta."
Agora leiam um trecho do editorial que a Rede Record publicou no dia 19 de julho. Lembro que um editorial, nesses moldes, reflete a opinião da emissora.
"... enquanto o cidadão comum sofre com o colapso aéreo, as autoridades de Brasília fazem teorias, brincam e até debocham. Mais de dez orgãos oficiais e dezenas de empresas atuam no setor e até agora nenhuma solução para a crise. E o pior: a saída parece impossível de ser encontrada.
As centenas de vidas perdidas parecem não afetar nossas autoridades, aparentemente distantes do caos. Bem longe do desespero e da agonia que tomaram conta dos nosso aeroportos nos últimos meses.
Indignada com essa situação, a Rede Record decidiu: a partir de hoje, não mais disponibilizará mais passagens para nenhum de seus executivos, artistas, jornalistas ou outros funcionários no Aeroporto de Congonhas até que tudo seja esclarecido. É um protesto em nome dos moradores da região. É um protesto em nome de quase 200 milhões de brasileiros. Um protesto contra o descaso. Contra a falta de ação dos responsáveis. Governo Federal, Aeronáutica, Infraero, Anac, companhias aéreas... O Brasil tem o direito de saber: de quem é a culpa? Quando toda essa tragédia vai acabar?"
Rede Record de Televisão
"... enquanto o cidadão comum sofre com o colapso aéreo, as autoridades de Brasília fazem teorias, brincam e até debocham. Mais de dez orgãos oficiais e dezenas de empresas atuam no setor e até agora nenhuma solução para a crise. E o pior: a saída parece impossível de ser encontrada.
As centenas de vidas perdidas parecem não afetar nossas autoridades, aparentemente distantes do caos. Bem longe do desespero e da agonia que tomaram conta dos nosso aeroportos nos últimos meses.
Indignada com essa situação, a Rede Record decidiu: a partir de hoje, não mais disponibilizará mais passagens para nenhum de seus executivos, artistas, jornalistas ou outros funcionários no Aeroporto de Congonhas até que tudo seja esclarecido. É um protesto em nome dos moradores da região. É um protesto em nome de quase 200 milhões de brasileiros. Um protesto contra o descaso. Contra a falta de ação dos responsáveis. Governo Federal, Aeronáutica, Infraero, Anac, companhias aéreas... O Brasil tem o direito de saber: de quem é a culpa? Quando toda essa tragédia vai acabar?"
Rede Record de Televisão
Paulo Henrique Amorim, na Record, apresentou o 'Edição de Notícias', o 'Tudo a Ver' e atualmente apresenta o 'Domingo Espetacular'. Mediante o teor do editorial, podemos concluir que ele trabalha em uma emissora também golpista, não? Bem, uma coisa é certa: para fazer a pregação da nova religião na TV, terá alguma dificuldade. Parece que não aceitarão a concorrência, em especial a do Deus de Paulo Henrique. Menos mal...
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