quinta-feira, 26 de julho de 2007

Lula e suas lições sobre a vaia.

No Ex-blog do César Maia (para cadastrados), hoje
LULA EM 25/02/2005 NO ENCONTRO SOBRE EDUCAÇÃO!
"Eu me lembro de um episódio, eu estava num comício uma vez, em Florianópolis, e chamaram um companheiro de um partido político para falar. Tinha umas 10 mil pessoas naquela praça da matriz lá em Floripa, e quando um cidadão foi falar, todo o plenário começou a pedir para ele não falar e começou a vaiá-lo, e gritavam: 'fora, fora'. Ele pegou o microfone e ficou gritando: 'vocês não são democráticos, vocês não querem me ouvir, eu preciso falar'. Eu pus a mão no ombro dele e falei: 'companheiro, não é possível que você não entenda o que é democracia. Tem 10 mil pessoas querendo que você não fale e você quer que as 10 mil te ouçam, isso é democracia?' Democracia é você entregar o microfone, permitir que chamem o próximo orador, e agradecer ao povo, ainda, por esse gesto de bondade."

terça-feira, 24 de julho de 2007

Dia do 'Fora, Lula'

No site do Claudio Humberto, hoje:

"Paulistanos se mobilizam para pedir o impeachment de Lula, dia 4, em passeata na Av. Paulista. Vão colocar nariz de palhaço, roupas pretas, e levar fotos dos mortos nos acidentes, além de faixas e cartazes de protesto."

Nem pra fazer um editorial?

Leio o editorial do jornal Diário do Amapá, de primor e erudição fora do comum. Além disso, cometeram uma façanha. Tiveram uma sintonia, foram de uma telepatia com o Fernando Canzian, da Folha. Mas quem não acredita 'nessas coisas', pode pensar em plágio mesmo. Se for assim, que feio para o Fernando, copiar editorial da Diario do Amapá, né?

Garis coletam mais de 40 sacos com lixo no meio do mundo

Micareta deu muito trabalho a garis após desfiles na área do sambódromo

No Jornal do Dia, hoje:


Agentes de limpeza funcionários da empresa enterpa, que presta serviços a Prefeitura de Macapá, começaram desde cedo coletar lixos deixados por brincantes do Macapá Folia.
O evento teve inicio na ultima sexta-feira (20) e terminou na madrugada de hoje. De acordo com os agentes, garrafas de vidro e plástico, papelão e outros tipo de materiais foram retirados das ruas onde as pessoas dançavam ao som de trios elétricos.
Pelo menos 45 sacos com lixo diversos foram amontoados somente ontem de manhã, sendo que a maioria era de garrafas.
Diferentes dos eventos anteriores, o Macapá Folia desse ano não registrou casos de violência graves, segundo a coordenação devido ao esquema de segurança montado para dá tranqüilidade aos brincantes. Apenas problemas relacionados a alcoolismo fizeram parte das ocorrências, registradas no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) no bairro Pacoval.
Um problema apontado pelos garis foi o mau cheiro provocado por urina devido aos banheiros improvisados não serem suficiente para atende a demanda.
Policiais do todos os Batalhões deram apoio para evitar improvisos, ajudado por agentes da Polícia Civil e agentes da Guarda Municipal que coordenaram o trânsito.
A polêmica sobre realização das micaretas em Macapá virou caso de justiça fato que várias ações por meio do Ministério Público do Estado e demais órgãos competentes, foram promovidas para retirar o evento da orla da cidade. Os moradores reclamavam da falta de estrutura e principalmente da poluição do rio Amazonas que recebia toda espécie de lixo. (José Maria Silva)

Trio "Parada Dura"

Na coluna From, hoje:

Mototáxi

Moto-taxistas de Macapá estão afinadíssimos com deputados Evandro Milhomen (PCdoB), Lucenira Pimentel (PR) e Sebastião Rocha (PDT). Por conta da predisposição do trio apoiar projeto de regulamentação da profissão, que tramita na Câmara dos Deputados. Estão de olho no restante da bancada

domingo, 22 de julho de 2007

"Onde a direita cristã e o fundamentalismo islâmico se encontram"

No Blog do Marcos Guterman, do Estadão, hoje:

"A direita cristã americana e o fundamentalismo islâmico estão em guerra aberta desde o 11 de Setembro. Mas há mais coisas em comum entre essas correntes ideológicas do que Bush e Bin Laden fazem supor. Uma delas é a idéia de que a teoria da evolução proposta por Charles Darwin é uma farsa. Para provar isso, um certo Adnan Oktar, vulgo Harun Yahya, da Turquia, produziu o Atlas da Criação. O caríssimo livro se dedica a mostrar que não houve evolução – os seres são hoje tais quais eram no passado remoto.

A editora de Yahya inundou as caixas de correio de cientistas americanos com seu livro, como mostra o New York Times. A intenção é desconhecida, mas, para muitos deles, trata-se de uma forma de rejeitar a teoria da evolução como mais uma influência negativa do Ocidente sobre as crenças islâmicas."

Momento Cultural: choro israelense


Um leitor do Blog do Luis Nassif recomendou a apreciação da arte da clarinetista israelense Anat Cohen e o Choro Ensemble, executando 'Migalhas de amor', de Jacob do Bandolim. De fato, trata-se de um choro lindíssimo e de uma execução primorosa. Deleite-se clicando aqui.

Turquia: resultados provisórios

No espanhol El Pais, hoje
Los resultados provisionales otorgan la victoria en las legislativas turcas al partido de Erdogan
El país busca superar la crisis institucional que vive desde hace meses con la renovación del Parlamento
AGENCIAS - Estambul - 22/07/2007
Los islamistas moderados del Partido de la Justicia y del Desarrollo (AKP), del primer ministro, Recep Tayyip Erdogan, han ganado con un 47,6% las elecciones legislativas celebradas hoy en Turquía, con el 80% de los votos escrutados, según informa la cadena de televisión CNN.
Unos 42,5 millones de turcos, de una población de 71,8 millones, estaban llamados hoy a las urnas para elegir un nuevo Parlamento en unas elecciones anticipadas que convocó Erdogan a raíz de la polémica desatada por el relevo presidencial en la República.

Turquía trata de superar con estos comicios una de las peores crisis políticas e institucionales de su historia reciente. Todavía se desconoce cuándo y cómo se nombrará al futuro presidente de la República, a pesar de que el asunto ha sido, junto a una posible intervención militar en el norte de Irak, el principal tema de campaña.

Todo comenzó el pasado 14 de abril, cuando en torno a medio millón de personas se manifestaron en Ankara para protestar contra la eventual candidatura a la Jefatura del Estado del primer ministro. Su Gobierno, liderado por el AKP, contaba con la mayoría absoluta en el Parlamento, el órgano responsable de elegir al presidente. Cualquier aspirante al cargo que los islamistas moderados propusieran debía salir indefectiblemente investido después de una serie de votaciones en la Cámara de Diputados.

Catorce partidos políticos y 699 candidatos independientes competían por hacerse con el mayor número posible de los 550 escaños del Parlamento. Para poder acceder a la Cámara, los partidos deben conseguir al menos el 10% del total de los votos a nivel nacional, mientras que los candidatos independientes no están sometidos a esta limitación.

Hasta la medianoche no estará permitido vender alcohol y nadie, a excepción de las fuerzas de seguridad, podrá portar armas. El incidente más grave durante la campaña electoral fue el asesinato del candidato independiente Tuncay Seyranoglu, aunque nada tuvo que ver con motivos políticos, si no que se relacionó con un supuesto ajuste de cuentas.

Ainda na Turquia

No Estadão On Line:

Dividida, Turquia decide seu futuro

País realiza hoje votação parlamentar, em meio à disputa entre secularistas e o governo islâmico moderado

Gabriella Dorlhiac

As eleições de hoje na Turquia não elegerão apenas o novo Parlamento, mas, muito possivelmente, definirão o futuro da nação turca. Enfrentando uma crise política há meses, o país está dividido entre a elite secularista, que controla o Exército, e eleitores do partido islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento (AKP), do governo.
Apesar de recentes pesquisas indicarem vitória do AKP - que obteria 40% dos votos, quase 20 pontos porcentuais na frente do secularista Partido Republicano do Povo (CHP) -, a maioria absoluta do partido no Parlamento vem sendo ameaçada pelo medo do fortalecimento do islamismo no país, o aumento de ataques do grupo separatista curdo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) dentro do território turco e o elevado nível de desemprego - cerca de 10%.
Temendo ter de formar uma coalizão, o que dificultaria a aprovação da agenda do governo, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan afirmou na semana passada que renunciará se seu partido não conseguir mais da metade dos 550 assentos do Parlamento. No país, os partidos precisam obter mais do que 10% dos votos totais para serem eleitos.
Responsável por um crescimento econômico anual de 7%, o AKP enfrenta uma forte reação popular, que vê no fortalecimento do partido uma ameaça à tradição secularista do país. Em abril e maio, centenas de milhares de turcos saíram às ruas para protestar contra o AKP. Abdullah Gul, candidato governista para suceder Ahmed Necdet Sezer como presidente - cargo que é aprovado pelo Parlamento -, foi forçado desistir de sua candidatura após deputados da oposição bloquearem a votação. Em outubro, os turcos votarão num referendo para decidir se as eleições presidenciais passarão a ser pelo voto direto. Analistas, no entanto, não acreditam numa ameaça islâmica dentro da Turquia. “Islã e democracia são compatíveis. O problema hoje na Turquia é prioridade. Para os secularistas, não pode haver democracia com religião. Então, o secularismo se torna automaticamente a única prioridade”, afirmou ao Estado, por telefone, o especialista em Europa do Grupo Euroasia, de Londres, o italiano Wolfango Piccoli.
Aproveitando-se da insatisfação dentro do país, o Exército tem explorado politicamente as recentes mortes de soldados turcos em ataques do PKK no sudoeste do país, área tradicionalmente curda. Os militares cobram uma atitude mais dura do governo, pressionando por uma incursão no Curdistão iraquiano, onde está a maior parte dos rebeldes curdos. “O problema é que o governo de Erdogan não tem política definida para os curdos no Iraque ou na Turquia, o que o deixa vulnerável”, disse ao Estado, por telefone, o turco Ilter Turan, professor da Universidade de Istambul e presidente da Associação de Ciência Política Turca.
Com uma população de pelo menos de 30 milhões, os curdos estão espalhados pela Turquia, norte do Iraque, Síria e Irã. Só na Turquia, eles representam 20% da população de 73 milhões. Sem Estado próprio, os curdos e suas tradições foram duramente reprimidos pelos governos turcos. Liderados por Abdullah Ocalan, os curdos entraram em conflito aberto com tropas turcas entre 1984 e 1999, que resultou na morte de dezenas de milhares de pessoas. O governo da Turquia acusa os separatistas curdos de terem matado 30 mil turcos no conflito.
As negociações no início de 2000 para entrada da Turquia na União Européia, atualmente emperradas, também obrigaram o governo aprovar uma série de medidas pró-curdas. Até 2002, por exemplo, a língua curda era proibida. Hoje, já é permitido o ensino em escolas particulares para pessoas com mais de 18 anos. Casamentos mistos são cada vez mais comuns, e os curdos estão deixando o sudoeste do país, pobre e pouco desenvolvido, para viver em outras cidades.
“Apesar dos avanços, há indícios recentes de que a situação não mudou completamente. Relatórios de ONGs apontam inúmeras violações”, acusou Mustafa Gondugdu, da organização Projeto de Direitos Humanos Curdos, em Londres.
O especialista, que é curdo e cuja família deixou a Turquia nos anos 80, disse que as reformas foram apenas cosméticas. “Na semana passada, um tribunal permitiu uma investigação sobre o prefeito de Diyarbakir, Osman Baydemir, depois de ele autorizar o envio de convites escritos em curdo para um evento. A mídia ainda é pressionada a não cobrir matérias sobre a questão curda”, contou Gondugdu.
Cansados de anos de confrontos e isolamento, candidatos curdos adotaram nessa eleição um discurso mais focado em mudanças políticas e não no separatismo. Desde os anos 90, quando os primeiros deputados curdos eleitos para o Parlamento foram expulsos por manifestar sua origem curda, a população não tinha um representante parlamentar.
Para burlar a barreira dos 10%, os candidatos de vários partidos decidiram concorrer como independentes. De acordo com pesquisas, eles devem conquistar cerca de 30 assentos no Parlamento, onde tentarão ampliar os direitos curdos. Para Gondugdu, “o argumento de que os curdos estão muito mais integrados hoje em dia é complexo e dá uma impressão falsa. Afinal, você precisa integrar-se para sobreviver”.

Na Turquia

Na Folha On Line:

Turquia vota renovação do Parlamento em eleições antecipadas

da Efe, em Ancara

Cerca de 42,5 milhões de turcos, de uma população de 71,8 milhões, foram chamados neste domingo às urnas para escolher um novo Parlamento em eleições antecipadas convocadas pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

Os colégios eleitorais abriram suas portas às 7h (1h de Brasília) no leste do país e uma hora mais tarde isso acontecerá na parte ocidental.

O fechamento dos colégios eleitorais será às 16h (10h de Brasília) no leste e uma hora mais tarde na zona oeste.

Quatorze partidos políticos e 699 candidatos independentes brigam pelas 550 cadeiras do Parlamento.

Para poder assumir as cadeiras, os partidos deverão conseguir pelo menos 10% do total dos votos, enquanto os candidatos independentes não estão submetidos a esta limitação.

As pesquisas apontam como vencedor o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, com uma maioria que oscila entre 29% e 48% das intenções de voto, segundo diversos institutos.

Os primeiros resultados provisórios, baseados nas pesquisas de boca-de-urna, são esperados para uma hora depois do fechamento dos 158.700 colégios eleitorais, embora as porcentagens mais decisivas sejam previstas para as 22h (16h de Brasília).

Segundo as leis eleitorais turcas, nenhuma emissora de TV poderá divulgar pesquisas até às 18h (meio-dia de Brasília).

A campanha eleitoral terminou sem maiores incidentes, com exceção do assassinato do candidato independente Tuncay Seyranoglu, que não teria motivos políticos e foi ligado a um suposto "acerto de contas".

sábado, 21 de julho de 2007

Teoria - Biquini Cavadão

Será verdade?

De um comentarista do Blog "Conversa Fiada", do candidato a pastor da igreja lulista, Paulo Henrique Amorim:

"furo jah enviei para Veja !!!!!!!!!! de fonte segura , o presidente do Brasil , Luis Inacio Lula da Silva , fez no sabado passado uma operacao plastica de palpebra e retirada de bolsa nos olhos !!!!!!!!! retirou os pontos na quinta feira !!!! Este eh o motivo pelo qual ele nao a pareceu em publico no dia do acidente !!!! a fonte eh quente !!! e lah de dentro , e vai estourar !!! vejam , comparem as fotos dos ultimos meses do pinguco e a de ontem !!!!!!!!! se nao verem a mudanca alem de petistas sao cegos !!!!!!!!!!!!!!!!!!"
Pode ser mentira, mas que aquela conversa de "tersol" foi esquisita, isso foi!

"Bombeiros não teriam liberado Santos Dumont"

Na Rádio do Moreno:

Denúncia que acaba de chegar à Rádio do Moreno dá conta de que o aeroporto Santos Dumont, no Rio, está funcionando com alvará provisório. É que o Corpo de Bombeiros do estado não teria aprovado as novas reformas do aeroporto.
Como Congonhas, seu funcionamento improvisado também teria sido uma imposição das empresas aéreas.
Gente, qual o tamanho realmente do poder dessas empresas?
Antes eram as empreiteiras. Agora são as empresas aéreas. Na verdade, as empreiteiras continuam. Só que, nas reformas dos aeroportos, elas se associaram à ganância das empresas aéreas.
Alô, Alô, CPI do Apagão, que tal criar a subCPI das empresas aéreas?

"De TAM não vôo mais"

No Blog do Noblat, hoje:

* O Airbus da TAM que explodiu após se chocar com um prédio da empresa em São Paulo, na terça-feira, já havia enfrentado problemas 26 dias antes do acidente. O avião não conseguiu decolar numa primeira tentativa de Recife para Natal no dia 24 de junho passado, abortou o procedimento e só seguiu vôo 40 minutos depois.
* Após reportagem publicada ontem pela Folha que informava, segundo relato de familiares, a presença de mais um tripulante no vôo 3054 -um piloto da empresa-, a TAM corrigiu a lista de passageiros e confirmou que Marcos Dias Stepanski, 27, estava no Airbus-A320. Com isso, sobe para 187 o número de mortos na aeronave. São 197 no total.
* A constatação de que a aeronave envolvida no acidente de terça-feira no aeroporto de Congonhas estava com seu reversor do lado direito inoperante ainda não levou a TAM a mudar seus procedimentos em relação a esse instrumento auxiliar do sistema de frenagem. A companhia aérea afirma que, enquanto não houver nenhum novo alerta ou orientação das entidades aeronáuticas e do fabricante, seguirá adotando a regra de que os reversores podem ser dispensáveis e que seus aviões podem voar temporariamente mesmo que tenham falha nesses aparelhos.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Sem comentários.


Foto de Orlando Brito

Se no sudeste não funciona...

No site do Cláudio Humberto, hoje:

Descontrole aéreo

Controlador de vôo aposentado da Aeronáutica, que pede anonimato, alerta para as "precárias condições" de trabalho em aeroportos distantes no Norte do País. "O pessoal do Acre, Rondônia e do Roraima está abandonado, houve casos de suicídio e internação psiquiátrica". Ele critica a contratação de novatos substituindo os insubordinados. Reclama que, ao contrário da Agência Nacional de Aviação Civil, pródiga em passagens a funcionários, controladores pagam do próprio bolso suas viagens de férias.

O Pastor Paulo Henrique Amorim e a nova religião

Daqui a pouco esses "caras" formalizarão a criação de uma nova religião, o Lulismo. A disputa para o bispado será acirradíssima. O candidato apresentado no post é fraco, mas está, desde já, tentando desbragadamente. No templo virtual do IG, ele se rasga. Mas é compreensível: IG, Tele'má', Canal 21, PlayTv, Lulinha... Huumm!! Mas parece que na Rede Record, ele é mais, digamos... "contido".
Confira as sandices do ... "jornalista" Paulo Henrique Amorim aqui.
Eis algumas das pérolas:
. A mídia conservadora (e golpista) derrotou o Presidente Lula por 10 a zero, na queda do avião da TAM.
.(O Jornal Nacional – o Jornal Nacional !!! – revelou que, desde sexta feira, o avião da TAM tinha um problema no reversor .... Deve ser culpa da falta de infra-estrutura do Governo Lula ...)
. Porém, a mídia conservadora (e golpista) só cobre a crise aérea e o apagão da infra-estrutura.
. Os indícios ? Não interessam.
. Para a mídia conservadora (e golpista) só interessa colar no Presidente Lula e no seu Governo a marca da ineficiência.
. A mídia conservadora (e golpista) ultrapassou, na queda do avião da TAM, todos os índices de fúria golpista que atingiu na crise do mensalão.
. Aquilo de que o Presidente Lula e este Governo mais precisam é de um porta-voz.
. Franklin Martins construiu – NO VÍDEO – uma imagem de credibilidade e de tranqüilidade.
. Porém, agora, parece ter submergido às tarefas – inúteis - de Ministro: cuidar da publicidade do Governo, e montar uma TV que tem tudo para ser um exercício de boas intenções com traço de audiência.
. E na hora em que a vaca vai pro brejo, aparece um porta-voz que ninguém conhece e que gagueja.
. Francamente, um porta-voz que gagueja ...
. Com o PT, o Governo Lula já sabe que não conta."
Agora leiam um trecho do editorial que a Rede Record publicou no dia 19 de julho. Lembro que um editorial, nesses moldes, reflete a opinião da emissora.

"... enquanto o cidadão comum sofre com o colapso aéreo, as autoridades de Brasília fazem teorias, brincam e até debocham. Mais de dez orgãos oficiais e dezenas de empresas atuam no setor e até agora nenhuma solução para a crise. E o pior: a saída parece impossível de ser encontrada.
As centenas de vidas perdidas parecem não afetar nossas autoridades, aparentemente distantes do caos. Bem longe do desespero e da agonia que tomaram conta dos nosso aeroportos nos últimos meses.
Indignada com essa situação, a Rede Record decidiu: a partir de hoje, não mais disponibilizará mais passagens para nenhum de seus executivos, artistas, jornalistas ou outros funcionários no Aeroporto de Congonhas até que tudo seja esclarecido. É um protesto em nome dos moradores da região. É um protesto em nome de quase 200 milhões de brasileiros. Um protesto contra o descaso. Contra a falta de ação dos responsáveis. Governo Federal, Aeronáutica, Infraero, Anac, companhias aéreas... O Brasil tem o direito de saber: de quem é a culpa? Quando toda essa tragédia vai acabar?"

Rede Record de Televisão

Paulo Henrique Amorim, na Record, apresentou o 'Edição de Notícias', o 'Tudo a Ver' e atualmente apresenta o 'Domingo Espetacular'. Mediante o teor do editorial, podemos concluir que ele trabalha em uma emissora também golpista, não? Bem, uma coisa é certa: para fazer a pregação da nova religião na TV, terá alguma dificuldade. Parece que não aceitarão a concorrência, em especial a do Deus de Paulo Henrique. Menos mal...

A evolução tecnológica é... fantástica!


Fonte: http://morrodoquerosene.blogspot.com/

O príncipe da Bahia

Entrevista com Antonio Carlos Magalhães, na Veja, edição 1983 de 22 de novembro de 2006

O príncipe da Bahia

À maneira de Maquiavel, o pensadorflorentino, ACM diz que, entre ser respeitadoe ser querido, fica com a primeira opção

Thaís Oyama


Só há um assunto do qual o senador Antonio Carlos Magalhães entende mais do que política, e esse assunto é poder. Seja por usufruir dele há mais de meio século, seja por ter convivido com quem o teve em abundância, ACM lida com naturalidade com o tema – e o aprecia também. "Tenho gosto pelo exercício do mando", diz.
Nas últimas eleições, o mando do senador sofreu um baque histórico. Além de assistir a seu grupo perder a hegemonia de dezesseis anos na Bahia, viu-se, pela primeira vez, cercado de adversários por todos os lados: na prefeitura, no governo estadual, no governo federal. Próximo de completar 80 anos de idade, ele admite a derrota, mas não o fim do jogo. "Voltarei com mais força do que tinha antes", afirma.
ACM, que se orgulha de ser "a única sigla que pegou no Brasil, além de JK", recebeu VEJA em sua cobertura em Salvador para uma conversa em que falou de política, presidentes – e, claro, poder.

Veja – Em 2004, seu grupo já havia perdido a prefeitura de Salvador e, nas últimas eleições, foi derrotado também no governo estadual. Em 2007, o senhor fará 80 anos. Acha que ainda pode recuperar sua antiga força política?
ACM – Tenho certeza. Vou voltar com mais força do que tinha antes, porque os meus adversários fracassarão. E fracassarão porque sabem fazer campanha mas não sabem governar. De maneira que minha volta não será fruto do meu trabalho, e sim fruto do erro deles. Como já disse, derrotados não falam, derrotados esperam. Quantas vezes já disseram que o carlismo havia morrido?
Veja – Algumas.
ACM – Em 1986, quando perdi o governo para Waldir Pires; em 1998, quando o meu filho (deputado Luís Eduardo Magalhães) morreu; em 2001, quando renunciei; em 2004, quando João Henrique ganhou a prefeitura. Hoje, se você perguntar sobre João Henrique em Salvador, ninguém dirá uma palavra simpática. E digo mais: não é justo dizer que fui derrotado no governo estadual. O próprio Paulo Souto (atual governador da Bahia, candidato de ACM à reeleição e derrotado no primeiro turno pelo petista Jaques Wagner) disse à imprensa: "Quem perdeu fui eu. Até porque o ACM se meteu muito pouco ou quase nada no meu governo".
Veja – Não foi o senhor que mandou que ele desse essa declaração?
ACM – Não, eu não tenho conversado muito com ele. Só vou lá para dar carinho a Paulo Souto, não para chateá-lo. Ele mesmo achou que tinha a obrigação de fazer isso. Mas que eu estava com vontade de dizer isso, estava.
Veja – O senhor conheceu dezesseis presidentes da República. Conviveu com diversos deles e foi íntimo de alguns. Quem, dentre todos, considera o melhor?
ACM – Juscelino, de quem fui mais próximo (ACM prepara um livro sobre o período em que ele, jovem deputado udenista, se tornou amigo do presidente bossa-nova). Juscelino foi o melhor porque tinha gosto pela administração e porque tinha o dom de não guardar mágoas de ninguém, mesmo daqueles que mais o injuriavam, mais o atacavam.
Veja – Essa é uma qualidade positiva num político?
ACM – Para aqueles que conseguem, sem dúvida é uma boa qualidade. Evidentemente, não é o meu caso.
Veja – O senhor é admirador de Napoleão Bonaparte e leu quase todas as suas biografias. Que características admira nele?
ACM – O gosto pelo poder é a primeira. Também admiro sua visão de mundo – para alguns, imperialista. E o fato de que ele sabia mandar. Saber mandar é uma coisa vocacional. Se você sabe mandar, vai poder mandar em tudo: da sua casa até o órgão mais importante da República. Se você não sabe mandar, pode assumir grandes postos e não adiantará nada – acontece o que está acontecendo hoje no Brasil. Esse problema do controle aéreo, por exemplo: quando isso ocorreu nos Estados Unidos, o presidente (Ronald) Reagan resolveu em 24 horas. Quem está aí não sabe mandar.
Veja – O senhor se refere ao presidente Lula ou ao ministro da Defesa?
ACM – O presidente é o maior responsável, mas o ministro da Defesa não poderia estar ali. Ele não conhece o assunto, fica sabendo das coisas por terceiros, e o resultado é que acha que está tudo na maior normalidade. Um apagão aéreo! Isso é normal? Se tivesse lá alguém de pulso, isso já teria terminado.
Veja – Dos presidentes que o senhor conheceu, quem melhor sabia mandar?
ACM – O presidente mais completo era Juscelino, mas comandava com suavidade. O mais duro no mando, mas muito competente, era Geisel. A figura dele já impunha autoridade. Nem por isso deixamos de ter algumas divergências, como no caso da Light. Quatro ministros já haviam assinado a entrega da Light por uma bagatela, um negócio que iria beneficiar umas vinte pessoas no Rio de Janeiro. Eu era presidente da Eletrobrás e resisti. O Geisel chegou a se levantar e dizer: "Você quer mandar? Sente na minha cadeira, então". Mais tarde, ele me chamou para uma viagem a Santarém e disse: "Olha, vou lhe dar razão no caso da Light. Mas, se você sair por aí contando vantagem, eu o demito". Isso também é saber mandar.
Veja – Qual dos presidentes não tinha essa vocação?
ACM – Figueiredo. Figueiredo não sabia mandar. Quando tentava, não era obedecido. Havia uma forte razão para isso: ele mandava muito errado. Seu fracasso como presidente acabou apressando o fim do regime militar.
Veja – E Lula?
ACM – Não manda. Ele me disse certa feita que havia comprado um carro novo e o partido o obrigou a vendê-lo. Noutra vez, a Erundina (ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina) o convidou para um espetáculo no Teatro Municipal e o partido achou que ele não devia ir, porque era no Municipal – muito burguês. Ele me disse isso numa conversa em 18 de dezembro de 1995, na casa de um amigo comum, o doutor Márcio Thomaz Bastos. Agora, está tentando se livrar do petismo criando o lulismo. Ele está tentando, não sei se vai conseguir. Sei que, se conseguir, isso será prejudicial ao país. No momento em que se tenta fortalecer os partidos, fazer uma reforma política, vem o lulismo? Isso é um retrocesso do ponto de vista democrático.
Veja – Como o senhor avalia os primeiros movimentos do presidente depois da reeleição?
ACM – O mal do Lula é que, em seu primeiro mandato, ele fez um governo fraco com homens fracos. Tudo leva a crer que vai repetir esse erro. Se você olhar os nomes que estão visitando o Palácio do Planalto nesses últimos dias, verá que são tão fracos como os que estão aí. Todos com passado ruim. Lula fez um ministério de derrotados. À exceção do doutor Márcio Thomaz Bastos – que é a alma deste governo, porque, com a prática da advocacia criminal, o salvou –, só tem a Dilma Rousseff. No governo Lula, a pessoa que sabe mandar é Dilma Rousseff. Ela tem capacidade.
Veja – O que o senhor acha da estratégia de Lula de aproximar-se dos governadores como forma de driblar a oposição no Congresso?
ACM – É um grave erro. Mesmo porque, de modo geral, os governadores não têm levado as suas bancadas. No Senado, temos hoje uma maioria provável para determinadas votações. Jamais o presidente Lula conseguirá uma reforma constitucional, que exige 49 votos, se não for acertando conosco. Agora, o campo dessa conversa tem de ser o Congresso, e não o Palácio do Planalto. O Congresso é para conversar. O Palácio do Planalto é para cooptar.
Veja – O pensador florentino Nicolau Maquiavel dizia que o governante deve ser antes temido do que amado. O senhor concorda?
ACM – O ideal é ter as duas coisas, mas, entre ser respeitado e ser querido, prefiro ser respeitado. O amor é instável. Hoje você é querido, amanhã não é. Já o respeito é permanente. É fruto da credibilidade que você adquire. O sujeito não chega batendo em sua barriga. Agora, autoridade não significa autoritarismo. O autoritarismo é coisa dos incompetentes, dos que querem aparecer pela força.
Veja – Mas o senhor mesmo já destruiu gravadores de repórteres e agrediu fisicamente adversários. Não foram manifestações de uma personalidade truculenta?
ACM – Os meus adversários me adjetivam assim, mas não sou. Eu lhe digo sinceramente: há jornalistas de quem não gosto. Nunca me fizeram nada, mas não gosto deles. Eu sei que não gostam de mim, por que vou gostar deles? Sou muito intuitivo: olhando para você, sei o que você pensa de mim. Depois de cinqüenta anos lidando com pessoas, isso não é nenhum dom sobrenatural.
Veja – Voltando à questão da autoridade: que atitude é necessária para preservá-la?
ACM – Por exemplo: se você me faz uma pergunta altamente ofensiva, fecho a cara para você e você não faz a segunda.
Veja – Entendi.
ACM – Não, não estou falando isso para você. É um exemplo que não precisa servir para um jornalista, pode ser para um deputado. O que não pode é você deixar passar de um certo limite. Um limite que você adquiriu com o quê? Com seus três mandatos de governador, não sei quantos de ministro, com cinqüenta anos de política, com seus cabelos brancos, tudo isso.
Veja – O senhor disse que tem "gosto pelo exercício do mando". Quais as boas coisas que o poder proporciona?
ACM – O poder tem de ser um instrumento para você realizar, para você servir à coletividade. O poder pelo poder, pela satisfação pessoal, nunca dá certo. Os que quiseram fazer isso fracassaram. (Fernando) Collor é um exemplo.
Veja – Mas o senhor preza os ritos do poder. Quando era presidente do Senado, fazia questão de que seus assessores o aguardassem todos os dias na entrada do Congresso, por exemplo. ACM – Até hoje é assim. Quando chego ao Senado, gosto que os meus auxiliares estejam me esperando na porta. E que me levem à porta na hora de eu ir embora. Meu ritual é completo. Eu disse uma vez a Luiz Viana Filho (seu antecessor no primeiro mandato como governador da Bahia) que era muito chato passar em revista as tropas. Ele me disse: "No início você acha chato, depois se acostuma e depois sente falta".
Veja – Qual foi o seu maior erro político?
ACM – Acho que foi a troca de agressões com Jader Barbalho.
Veja – Por quê?
ACM – Porque resultou no meu afastamento do Congresso e no dele.
Veja – O senhor costumava se aconselhar muito com o seu filho, Luís Eduardo. Desde a sua morte, qual foi o momento em que mais sentiu falta desses conselhos?
ACM – Eu sinto a falta de Luís Eduardo todos os dias – diria até que em todos os momentos. Mas dos seus conselhos, da sua ajuda, acho que senti mais falta em 2000, 2001, quando tive aqueles problemas no Congresso.
Veja – O senhor se refere à violação do painel de votação do Senado e à descoberta de que adversários seus e uma amiga haviam sido grampeados? (Ambos os episódios foram atribuídos a ACM).
ACM – Eu não tive nada com o painel. Nada com o painel. Eles me puniram exclusivamente porque não puni o (José Roberto) Arruda (então líder do governo no Senado) e a dona Regina (Regina Borges, então funcionária do Senado). Entendeu? A tese era essa: eu tinha de puni-los quando tomei conhecimento do fato. E não puni porque achava que era muito pior tornar sem efeito a votação do que consumá-la. A votação era uma vontade do Congresso e era uma coisa justa.
Veja – Quanto ao episódio dos grampos, o senhor também o considera uma injustiça?
ACM – Quando eu digo que não tive nada diretamente com o assunto, as pessoas não acreditam por causa das coincidências que existiram. Mas o fato é que não tive nada diretamente com isso. Agora, confesso que esse é um assunto de que, em respeito às pessoas que estiveram envolvidas nele, eu não trato. Se Luís Eduardo estivesse comigo naquele momento, eu não teria passado por nada daquilo, tenho certeza. Ele próprio teria atuado em meu favor e resolvido os assuntos, com certeza absoluta.
Veja – Existe alguém que o senhor não perdoe?
ACM – Tenho um caso apenas. É o de uma pessoa que afrontou a memória de minha filha (Ana Lúcia, que se suicidou em 1986, aos 28 anos). Mas tenho como regra não declarar o nome dos meus inimigos. Inimigo você deve esquecer. Se você o esquecer, ele morre por si. Claro que nem sempre você consegue esquecer, mas, na aparência, tanto quanto possível, deve ignorá-lo – o que não significa que não deva destruí-lo no tempo certo.
Veja – O senhor se considera vingativo?
ACM – Não. Ao contrário do que dizem, não sou vingativo. Meus inimigos se destroem por si próprios.
Veja – O senhor tem medo de quê?
ACM – De nada. De nada, nada, nada. Aquilo que o Schmidt (o poeta e editor Augusto Frederico Schmidt) disse de Juscelino, podem dizer de mim também: "Deus o poupou do sentimento do medo". Agora, uma coisa devo dizer: os homens que têm juízo devem sempre temer o ódio das mulheres.
Veja – O senhor já perdeu uma filha e um filho. Já adoeceu gravemente, já sofreu grandes derrotas políticas e já teve de renunciar a um mandato sob a ameaça de tê-lo cassado. Em todas as ocasiões, pensou-se que o senhor submergiria e isso não aconteceu. O que lhe dá energia para voltar sempre?
ACM – A vontade de demonstrar aos meus adversários que eles são bem mais fracos do que eu. É isso que me move. Se não fossem os meus adversários, talvez eu já tivesse deixado a vida pública. Eles são o melhor incentivo que tenho para continuar lutando. Os inimigos nos fustigam, nos chateiam, mas, sem eles, não tem graça.


Deus e o diabo na terra do acarajé

"A reportagem de 1993, quando ACM cumpria seu terceiro mandato como governador da Bahia, foi escrita pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha. Dez anos depois, quando Cunha era editor de Política da sucursal da revista IstoÉ em Brasília, ACM disse ao repórter, em off, que havia mandado grampear seu desafeto Geddel Vieira Lima, hoje ministro da Integração Nacional. A Polícia Federal apurou que era mais do que uma travessura contra um inimigo – era um malvado megagrampo da polícia baiana que bisbilhotou os telefonemas de 700 pessoas em cinco Estados.
Cunha quebrou o off, abrindo um debate ético na profissão, apontou ACM como mandante da operação, e o senador só não foi cassado porque a mão terna dos amigos Sarney e Lula garantiu o arquivamento do processo."
Com autorização da PLAYBOY, Ricardo Noblat reproduziu texto de Cunha. E eu o reproduzo aqui.
Playboy - Edição 215 - Junho de 1993
Deus e o diabo na terra do acarajé

Anjo ou demônio?
Amigo ou inimigo?
Governo ou oposição?
Bajulador ou contestador?
Austero ou corrupto?
Ditador ou democrata?
Malvadeza ou ternura?

Há quatro décadas o país tenta definir os traços mais marcantes do baiano Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, médico de formação, jornalista de profissão e político por devoção. Nas ladeiras estreitas e calorentas de Salvador ou nos gabinetes atapetados e refrigerados de Brasília, o perfil polêmico do governador (pela terceira vez) da Bahia ainda desperta ódio e paixão, provoca inveja e admiração, estimula adesões, cria temores – e sustenta uma discussão que parece interminável. Aos 65 anos, o mais agressivo político brasileiro sobreviveu a todas as tormentas do país desde o governo de JK, na década de 50. Agora, como líder de uma oposição inclemente ao governo Itamar Franco, já de olho na sucessão presidencial de 1994, atrai outra vez a fúria dos elementos. É a briga mais recente da aguerrida biografia de Antônio Carlos Magalhães – e brigar é o que ele sabe fazer melhor.
Eleito deputado federal em 1958, aos 28 anos, pela União Democrática Nacional, a hoje extinta UDN, indispôs-se com um dos principais caciques do partido, Carlos Lacerda, o governador do Estado da Guanabara a partir de 1960, e com o presidente Jânio Quadros, que chegou ao poder em 1961 com apoio udenista.
Brigou em seguida com o presidente João Goulart e conspirou para o golpe militar de 1964. Comprou briga, também, com as tradicionais lideranças políticas baianas, ao ganhar a prefeitura de Salvador e o governo do Estado apoiado nos comandantes militares. Trocou socos com deputados e tapas com general. Bateu-se pelo AI-5 e, depois, contra a linha-dura que, confrontando os generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, queria manter o país nas trevas eternas da ditadura. Batalhou pelo general João Figueiredo, na sucessão do presidente Geisel, e contra Figueiredo, quando o Palácio do Planalto adotou em 1984 a candidatura Paulo Maluf.
Abriu baterias, no mesmo ano, contra o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Délio Jardim de Mattos, desestabilizando a base militar do malufismo e, na hora certa, botou o pé no estribo da Nova República. Trovejou no palanque das Diretas-Já e manobrou pelas indiretas no Colégio Eleitoral, como queria Tancredo Neves. Brigou contra a CPI da Corrupção, como ministro, e contra os corruptos, como governador. Brigou com a Constituinte que queria encurtar o mandato do presidente José Sarney, dando concessões de rádio e TV aos amigos do presidente. Brigou com a NEC do Brasil quando a empresa, fabricante de equipamentos eletrônicos, estava sob o controle do empresário Mário Garnero e se reconciliou com ela quando, num episódio controvertido, Garnero a perdeu para o amigo Roberto Marinho – o amigo de três décadas que repassou às suas emissoras de TV na Bahia a programação imbatível da Rede Globo (Garnero até hoje responsabiliza ACM pela perda da NEC). Brigou contra o primeiro ministério de má fama de Fernando Collor e submergiu, num silêncio eloqüente, no arrastão da CPI que varreu a caterva da Dinda do poder. Brigou com o governador fluminense Leonel Brizola, em defesa do turismo da Bahia, e com o prefeito carioca César Maia, para proteger o Carnaval de Salvador. Brigou contra Itamar vice, e vai brigar ainda mais contra Itamar presidente.
Com tanta briga, Antônio Carlos Magalhães fez amigos, ganhou certamente muito mais inimigos, definiu um estilo e consolidou uma marca: ACM é hoje a sigla política mais longeva do país, após a extinção do PCB, o septuagenário Partido Comunista Brasileiro. “O importante, na política, é dizer não”, ensina ACM, que garante não guardar ódio de seus inimigos: “Quem odeia é escravo de seu ódio, e por isso muitos de meus inimigos são meus escravos.” Nessa multidão ele inclui, com certeza, o senador Jutahy Magalhães (PMDB-BA), que não lhe perdoa a ingratidão com antigos amigos. “ACM é como pombo”, compara o senador. “No chão, ele come na mão da gente. No alto, caga na cabeça da gente.”
Ele comeu na mão do pai de Jutahy, o ex-governador Juracy Magalhães, que abençoou seu ingresso na política pela legenda da UDN baiana. E agora está sujando a cabeça do filho do senador, o ministro Jutahy Jr., da Ação Social, que ACM acusa de repassar verbas federais a prefeitos amigos em fim de mandato. “Não existe ninguém mais gentil do que ACM quando ele quer agradar”, cutuca Jutahy pai. “Ele sabia que meu pai adorava os netos e vivia dando presentes ao Jutahyzinho.”. ACM rebate: “Esse menino, o ministro, me beijava mais do que meu filho, o Luiz Eduardo. Só Freud explica...”
Outro notório desafeto, o deputado federal e ex-governador Waldyr Pires, acusa: “Antônio Carlos governa com o chicote numa mão e a bolsa de dinheiro na outra. Se houvesse uma terceira, seria a da bajulação.” Mesmo a oposição, porém, reconhece que nenhum líder civil do golpe militar de 1964, à exceção talvez de Carlos Lacerda, confrontou com tanta dureza os militares como ACM. Em 1965, deputado federal e presidente da Aliança Renovadora Nacional (Arena) baiana, ele trombou com o general João Costa, comandante da 4ª Região Militar, que pressionava a Câmara de Vereadores de Salvador. Num encontro no Palácio da Aclamação, diante do então governador Lomanto Jr., o general entrou ríspido na conversa: “Veja como você vai falar!...”, cortou ACM. No elevador privativo, estreito para tanta autoridade, o general levantou o dedo na sua cara e ACM explodiu: vergou o dedo com a mão direita e, com a esquerda, arrancou o quepe do general num tapa insubordinado. No Natal de 1968, poucos dias após a edição do AI-5, quando o governador Luís Viana Filho sofria pressão da linha dura do regime militar, o atrevido Antônio Carlos avisou num discurso na prefeitura de Salvador: “Não tenho medo do apito do guarda-noturno. Aqui não tem ladrão.”
Ele dizia não ter medo, também, do Serviço Nacional de Informações, o temido SNI. Em 1972, o general Carlos Alberto Fontoura, chefe do organismo, pediu explicações por escrito sobre um encontro com o cassado Juscelino Kubitschek no restaurante do Country Club, no Rio. ACM respondeu, confirmando e anunciando que ele e o ex-presidente haviam combinado um jantar para a semana seguinte: “Jantar este para o qual o sr. está convidado, general”, provocou o então governador da Bahia. O general não compareceu, mas reagiu com um telegrama ambíguo mostrando que o buraco era mais em cima: “Outra atitude não poderia esperar de V. Sa. o Sr. Presidente da República, general Emílio Garrastazú Médici. Assinado: Carlos Alberto Fontoura.”. Em 1979, contra as recomendações do SNI e seu chefe, general Octávio Medeiros, ACM cedeu o Centro de Convenções de Salvador para que a União Nacional dos Estudantes (UNE) fizesse seu primeiro congresso fora da clandestinidade.
No caso de JK, o chefe do SNI se mostrou muito mal informado. Juscelino era velho amigo do pai de ACM, e este se transformou num “embaixador” informal da Bahia junto ao presidente da República, quando se elegeu deputado federal, em 1958. Integrante da ala “chapa branca” da UDN, assim chamada porque fazia uma oposição moderada ao Partido Social Democrata (PSD) no poder, ACM passou a ser conhecido como “despertador de JK”: ligava todo dia às 7 horas para longas conversas com o presidente. Sua amizade o fez mensageiro da notícia de sua cassação, em junho de 1964. No exílio, JK lhe mandava cartas afetuosas, que ACM guarda com emoção e orgulho. No dia em que JK morreu, em 1976, enquanto o Planalto hesitava em decretar luto oficial, ACM ligou para o general Golbery, o estrategista-mor do regime, para avisar que iria ao enterro do amigo. Dias depois, outro chefe do SNI, o futuro presidente João Figueiredo, ainda mais atrevido, ousou interpelá-lo. “Fui ao enterro dele e irei ao seu”, respondeu ACM.
Nos anos de chumbo da era Médici (1969-1974), o clima sufocante da ditadura esmagava qualquer contestação. A repressão militar dizimava os dissidentes de esquerda. Não era nada prudente dar um emprego a eles. Apesar disso, a empresa que ganhou a concorrência da prefeitura de Salvador para construir o Viaduto dos Engenheiros, na gestão de ACM, tinha como diretor uma figura maldita para o regime: o ex-deputado Rubens Paiva, que meses depois seria “desaparecido” pela repressão. No auge do fechamento político, ACM era capaz de dizer que o AI-5 “não fazia mal a ninguém”, mas mostrava seu pragmatismo aos amigos mais próximos: “Se este país virar comunista, um dia, serei o maior líder de esquerda do Brasil.”
O escritor Jorge Amado, um marxista, engoliu em seco quando da segunda indicação biônica de ACM para governador, em 1979, e lhe telegrafou de Paris: “Sou contra você, mas não sou burro.” Mesmo quem era contra, mas não era burro, reconhecia que a estréia de ACM na administração mostrara que ele não era competente apenas na tribuna parlamentar. Prefeito biônico de Salvador aos 40 anos, ACM conseguiu que o Planalto mudasse a lei para antecipar em dois meses sua posse – assumiria, assim, dias antes que seu protetor, o presidente Humberto de Alencar Castello Branco, passasse o poder ao sucessor, marechal Arthur da Costa e Silva, seu inimigo. Com isso, ACM pôde chegar à prefeitura com os cofres cheios, em 1967, preparado para enfrentar a dieta de verbas imposta por Brasília. E conseguiu, em três anos, revolucionar Salvador.
A cidade de traçado antigo, encarapitada em morros de ruas estreitas, tinha um trânsito caótico e ladeiras tão íngremes que os ônibus com freqüência deslizavam de ré. Uma delas ganhou, por isso, o nome de Quebra-Bunda. ACM aproveitou o traçado dos rios e córregos que cortavam a cidade e abriu seis grandes “avenidas de vale”, interligadas por viadutos que fazem o tráfego fluir sem nenhuma preguiça ou susto. A gestão de ACM na prefeitura tornou-o candidato natural a governador, na eleição indireta de 1970. No governo Médici, quando o partido situacionista, a Arena, era sinônimo de ditadura, ACM, embora arenista, era um biônico popular. Levou a luz da hidrelétrica de Paulo Afonso para a capital, tirou a burocracia do centro histórico e a levou para o moderno Centro Administrativo, pavimentou estradas e livrou a Bahia da dependência do cacau, do qual o Estado tirava nada menos de 60% de sua renda. Surgiu o Centro Industrial de Aratu e, com a força de Médici no Planalto e de Geisel na Petrobrás, o Pólo Petroquímico de Camaçari. Indicado para um segundo governo biônico, em 1978, abriu uma nova linha-tronco a partir de Paulo Afonso, levando energia para a esquecida região do Vale do São Francisco, o interior mais pobre do Estado.
Entre uma sucessão e outra, ACM desafiou lideranças e atiçou ressentimentos, convencido de sua própria força. Desprezando aliados de outras campanhas, ungiu solitário o herdeiro Clériston de Andrade, presidente do Banco do Estado da Bahia, para sucede-lo na primeira eleição pelo voto direto, em 1982. O candidato morreu um mês e meio antes da eleição, na queda de um helicóptero. ACM, com esse episódio, parecia ter sucumbido na política, mas ressuscitou ao lançar para governador o nome de um político obscuro, dispensando acintosamente o apoio dos líderes no Estado. Contra todas as evidências, o deputado João Durval, secretário estadual de Saneamento, elegeu-se governador com 580 000 votos de vantagem sobre o candidato do PMDB, Roberto Santos. Durval era um enigma político e ACM sabia disso: “Elegi um poste”, reconhece hoje o criador, renegando a criatura, agora mais um adversário seu na arena política baiana.
À estrondosa vitória de 1982 seguiu-se a atordoante derrota de 1986, a maior da carreira de ACM. Os inimigos se juntaram e massacraram o então poderoso ministro das Comunicações, derrotando o seu candidato, Josaphat Marinho, e levando ao poder Waldyr Pires, do PMDB, com uma humilhante vantagem de 1,5 milhão de votos. ACM, às vésperas da eleição, chegou a brigar com o Ibope, duvidando da tragédia iminente. “Foi o nosso maior acerto – 32% de diferença”, rememora o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. “Acertamos na bucha. Depois dessa, Antônio Carlos passou a respeitar as pesquisas.” ACM só não respeitou o governador eleito, que passou a viver à míngua de recursos federais. “As verbas foram bloqueadas em Brasília pelo ACM, que dizia que a Bahia, no meu governo, não teria nem pão nem água”, lembra Waldyr, contando que o presidente Sarney chegou a cometer a deselegância de visitar o Estado sem avisar o governador. O próprio Sarney admitiu a um amigo: “Eu não gostaria de ter um inimigo como ACM.”
O que ninguém previa, nem mesmo o PMDB, é que o sucesso de 1986 se transformaria em fiasco, dois anos depois: Waldyr Pires abandonou o governo para ser o vice de Ulysses na chapa do partido na eleição presidencial de 1989. O eleitor sentiu-se logrado e o governo caiu nas mãos do vice, Nilo Coelho, que se transformaria no alvo preferencial de ACM na sua campanha anticorrupção para voltar ao governo da Bahia pela terceira vez – agora, ao contrário das anteriores, purificado pelas urnas. Acusando Nilo Coelho de ter comprado fazendas, uma fábrica de cerveja, uma revendedora de automóveis e uma emissora de TV de 6 milhões de dólares após a saída de Waldyr Pires, ACM batia duro: denunciou que Nilo puxara 200 quilômetros de rede elétrica para dentro de suas fazendas e inventara o quilômetro de 700 metros. “Os outros 300 eram a comissão”, ironiza. “Tive que restabelecer o sistema métrico na Bahia.”
É pelo flanco da corrupção que os adversários tentam alvejar ACM, aparentemente sem muita pontaria. Como é que um político, só com o salário de ministro ou de governador, pôde formar o maior império de comunicação da Bahia?, questionam os inimigos de ACM. Nada se prova, até porque nenhuma dessas empresas está sem seu nome. O jornal Correio da Bahia, o terceiro mais vendido no Estado, com 20 000 exemplares diários, está em nome do outro filho, ACM Júnior. As emissoras no interior do Estado estão em nome de “pessoas amigas”, como as apresenta o próprio ACM. E a TV Bahia, que capta o sinal da Globo há cinco anos graças ao link direto entre ele e Roberto Marinho, é ou não é de ACM? “É e não é. É dos meus filhos. Eles é que usufruem.”
Os adversários batem também, por tabela, numa sigla subsidiária: a OAS (Olivieri, Araújo e Suárez), a segunda maior empreiteira do país, logo atrás da C.R. Almeida, com 20 000 funcionários, 100 canteiros de obras plantados no país e faturamento de 1,2 bilhão de dólares. Quando o dono da OAS, Cear Matta Pires, se casou com Teresa Helena, filha de ACM, a sigla ganhou uma tradução venenosa: “Obrigado, Amigo Sogro”. No seu primeiro governo, nenhuma obra foi contratada. No atual, alguns serviços foram ganhos pela OAS, porque atenderam ao preço mínimo, conforme exigência de ACM. A principal obra do Estado, contudo – a “Linha Verde”, estrada de 142 quilômetros unindo a Sergipe o litoral norte baiano, ao custo de 53 milhões de dólares – foi ganha pela maior concorrente da OAS no Estado, a Odebrecht.
A cobrança é implacável porque ACM, sempre que pode, deixa clara sua antipatia pela chamada “república das empreiteiras”. A um empresário que queria saber as razões dessa antipatia, ACM explicou: “Quando vocês cedem uma única vez e pagam comissão a um político corrupto, colocam sob suspeição todas as outras atividades da empresa, mesmo as mais honestas.” Foi a ele que alguns empreiteiros recorreram, em 1991, quando se assustaram com a gula inesperada de personagens muito próximas ao presidente Fernando Collor de Mello. A comissão de praze paga pelas empreiteiras tinha saltado de 14% para 20% ou 25%. ACM começou a perceber, então, o tamanho da influência de PC Farias sobre o governo, mas, segundo diz hoje, não avaliou bem o poder do tesoureiro sobre o próprio presidente – embora já existissem evidências dela. Ainda na fase de campanha, quando Collor atacava Sarney e ele era ministro das Comunicações, ACM foi chamado pelo candidato do PRN para uma conversa sigilosa, no Lago Norte de Brasília. Mas, em vez da Casa da Dinda, o encontro aconteceu na residência ao lado, sob o testemunho solitário do insinuante dono da casa – PC Farias.
Na fase de montagem do governo Collor, o ardor collorido do cacique baiano começou a desbotar quando o presidente eleito lhe anunciou, entusiasmado, o nome do futuro ministro da Justiça, Bernardo Cabral. “É o homem da Constituinte, o homem que Ulysses queria”, festejava Collor. ACM diz que tentou soprar o nome do médico Adib Jatene para integrar a equipe, mas desistiu ao saber que os alquimistas do Bolo de Noiva, o anexo do Itamaraty onde se articulava a estrutura do novo governo, tinham cravado Luís Romero Farias – irmão de PC – como secretário-geral da Saúde, antes mesmo da escolha do futuro ministro daquela pasta. No segundo semestre de 1991, como quem dá a senha, ACM começou a dar entrevistas em Salvador denunciando a roubalheira que tomava vulto sob o manto do governo Collor. “Rouba-se muito e pune-se pouco”, esbravejava.
Mas ele mesmo é cobrado, semanalmente, por sua forçada convivência com a malfalada classe dos empreiteiros. Sábado e domingo ele descansa com a família na casa do genro Matta Pires, erguida num terreno que ACM tem na praia da Penha em Mar Grande, na Ilha de Itaparica. É o encontro de rotina do genro e do sogro, ele garante, nunca do empreiteiro e do governador. “Mas ninguém acredita”, lamenta-se ACM, com ar resignado. Passageiro freqüente do jatinho Citation azul e branco da EBTA, a empresa de táxi-aéreo da OAS, ACM procura desfazer qualquer insinuação ou constrangimento ético: “Ela teve o melhor preço numa licitação pública”, argumenta. “E a fatura é paga através de publicidade na TV e no jornal de minha família. Acaba saindo bem mais barato para o Estado.”
Anos atrás, acusado de corrupção pelo deputado federal Elquisson Soares, do PMDB baiano, ACM o desafiou a comparar as declarações de renda de ambos. Exibiu a sua, o deputado não. “A Receita Federal foi investigar e descobriu que ele não declarava imposto de renda havia dois anos”, conta. Na CPI da NEC, na qual era acusado de infernizar a vida do empresário Mário Garnero para forçar a entrega da empresa ao amigo Roberto Marinho, autorizou por fax o relator Luiz Carlos Santos, deputado do PMDB paulista ligado a Orestes Quércia, a quebrar seu sigilo bancário. “Mas, não sei por que, o deputado engavetou meu fax”, diz ACM. Atento aos detalhes, recebeu um dia um pedido de audiência do bicheiro carioca Castor de Andrade, interessado em abrir uma indústria pesqueira. Sem saber direito que bicho ia dar, deu uma ordem inusitada à secretária: “Manda ele entrar, mas deixe a porta aberta...”
A porta de sua vida privada e familiar, contudo, ele nunca abre. Nem permite que batam nela. Nenhum de seus parentes, afirma, tem a carteira profissional assinada pelo Estado. Apesar disso, a oposição bate implacavelmente numa tragédia pessoal de ACM. A cada eleição, uma história antiga, o caso Juca Valente, é exumada com frieza de legista. Em janeiro de 1975, o primeiro marido de Teresa Helena, José Fernando Marques dos Reis Valente, o Juca Valente, de 27 anos, teve uma discussão feia com a mulher. Horas depois, foi encontrado morto com um tiro na cabeça, num caso definido oficialmente como suicídio. Apesar disso, o episódio passou a ser uma assombração política sazonal para ACM. A mãe de Juca, Maria Celina, está convencida de que o filho foi assassinado por haver desafiado a ira do sogro poderoso. Por duas vezes, em 1975 e 1988, ela tentou acionar a Justiça, mas em ambas o Ministério Público rejeitou o pedido, alegando falta de provas. “Isso é uma indignidade, que não respeita nem mesmo a dor pessoal de minha família e que a oposição insiste em explorar, da maneira mais vil”, revolta-se Antônio Carlos, quando o caso é mencionado.
Na eleição de 1990, Juca Valente ressuscitou mais uma vez. Nessa campanha de 10 milhões de dólares, um item indispensável no palanque high-tech de ACM era o telefone, pelo qual tomava conhecimento do tom empregado pela oposição no horário da propaganda política. E foi pelo telefone que ele soube, antes de fazer seu discurso num comício na cidade de Itapetinga, a 600 quilômetros de Salvador, que a campanha do ex-governador Roberto Santos, seu adversário direto, tocava mais uma vez no episódio Juca Valente. ACM desceu do palanque, sem falar aos eleitores, foi para o aeroporto, pegou o jatinho, voltou para a capital, gravou sua resposta e sua revolta no programa de televisão e retornou, no mesmo dia, para o interior.
Apesar da insistência com que é trazida à tona, a história da morte do genro ainda é capaz de produzir nele um misto de revolta e emoção, que o deixa com os olhos avermelhados. Mas nada se compara à dor causada pelo suicídio de sua filha caçula, Ana Lúcia, que morreu em novembro de 1986, aos 28 anos (poucos dias, aliás, após a derrota por 1,5 milhão de votos para Waldyr Pires). No cemitério, o choro incontido mostrou que nada fragilizou tanto o coração de ACM como a morte de Ana Lúcia, tida como a predileta entre seus quatro filhos.
Com marcas tão fundas em sua vida pessoal, Antônio Carlos não admite que se cruze a fronteira doméstica em nome dos interesses – maiores ou menores – da política. Na campanha de 1990, apareceu um certo dia em seu QG eleitoral uma loira vistosa, acompanhada de um garoto e de um advogado esperto. O rábula queria oferecer o depoimento da mulher, no horário político, acusando a paternidade irresponsável de um poderoso adversário político. Era a versão baiana de Miriam Cordeiro, a ex-namorada de Luiz Inácio Lula da Silva que o torpedeou na campanha presidencial de 1989. ACM conta que, enojado, mandou expulsar o trio de seu comitê: “Política não se mistura com vida privada”, advertiu.
Duro com gente de fora, o governador baiano é implacável com sua própria equipe. Quando o telefone toca, às 7 horas da manhã, o secretário premiado já sabe que é ele, ligando após a leitura dos jornais. Ele tem obsessão por telefone, o primeiro instrumento que pega de manhã cedo e o último que larga, já de madrugada. Com ele faz uma ronda, via DDD, pelos principais gabinetes de políticos e empresários e pelas redações dos principais jornais e revistas do país (leia quadro no final da reportagem). Dono de uma memória fotográfica, que anota nomes e datas com precisão de relojoeiro, ACM registra na cabeça mais de 300 telefones. Não gosta de reunião coletiva de secretariado e prefere dar espaço à sua equipe, mas sempre marcando sob pressão. Segue um mandamento de Metternich, o conservador chanceler austríaco que arrumou a Europa após a confusão das Guerras Napoleônicas, no início do século XIX: “A liberdade é atributo da ordem.” Traduzindo: vacilou, dançou.
Demitiu o secretário da Segurança quando, no dia 15 de janeiro de 1992, quinze turistas argentinos foram assaltados em Salvador. Recebeu o grupo em palácio, indenizou cada um com 1 000 dólares, pagou o hotel e os levou a passear pela cidade. O embaixador argentino em Brasília, agradecido, foi a Salvador para lhe entregar uma condecoração do país, o jornal Clarín de Buenos Aires festejou em editorial, dizendo que “vale a pena ser assaltado na Bahia”, e o governador acabou sendo recebido, por mais de uma hora, por um encantado presidente Carlos Menem.
No ranking da preferência popular, ACM disputa palmo a palmo com o cearense Ciro Gomes o título de melhor governador do país, afirma Carlos Augusto Montenegro, o diretor do Ibope. “ACM é um anjo para a opinião pública e um demônio para os políticos”, supõe Montenegro. Para uns e para outros, o veterano cacique aparece sempre impecavelmente trajado, em geral de terno e gravata, indiferente ao sol implacável da Bahia. Gosta de gravata listrada, especialmente com o azul, vermelho e branco da bandeira baiana, mas não suporta marrom. Não usa e não gosta de receber gente vestida com esta cor. É uma de suas raras superstições – como a preocupação de nunca ter 13 convidados à mesa generosa da ala privada do Palácio de Ondina, uma antiga casa de estilo colonial debruçada sobre o azul hipnótico do mar de Salvador.
Existem sempre convidados compartilhando o almoço ou jantar com ele e a mulher, dona Arlete. ACM passa ao largo dos pratos tradicionais da aromática cozinha baiana. Limita-se, hoje, a uma dieta de bifes grelhados ou carne branca com acompanhamento de legumes. Seu peso atual, 93 quilos, já dois pontos acima do recomendável, mas é difícil imaginar ACM sem aquela rotunda barriga que lhe dá uma silhueta de pai-de-santo ou de um coronel da política nordestina. E os devotos mais próximos sabem que, contrariando as ordens médicas, ele não resiste ao prazer proibido de duas ou três “punhetinhas” após as refeições. Calma! “Punhetinha” é o nome popular do “bolinho de estudante”, sobremesa que mistura tapioca, açúcar e canela e que faz Antônio Carlos se derramar de ternura. Marca registrada da baianidade inventada por Dorival Caymmi, os seus cabelos brancos combinam com o bigodinho ralo e estão sempre penteados para trás. Profissional do corpo-a-corpo na política, ACM só não gosta que lhe perturbem a ordem impecável dos cabelos. Nas campanhas eleitorais, além do telefone, existe sempre uma assessora próxima com um pote de gel e um pente para remediar um afago mais entusiástico ou uma inesperada corrente de ar.
Trabalhar com o governador da tórrida Bahia é, literalmente, uma gelada. Seu gabinte em Ondina não tem janelas e, além das estantes cheias de livros até o teto, exibe com destaque dois poderosos aparelhos de ar condicionado que dão a ACM e seus visitantes a sensação de que a capital da tropicália resvalou para algum ponto da gélida Patagônia: a temperatura ambiente não sai de 19 graus, enquanto do lado de fora o termômetro marca, como de hábito, mais de 32 graus. Atravessar aquela porta produz nos incautos um verdadeiro choque térmico.
Católico, devoto de Santo Antônio, ACM tem Ogum como seu orixá, o santo guerreiro do ferro e da guerra, cujos “filhos” são impetuosos, autoritários, desconfiados – como o próprio ACM. Ele diz que não liga para isso, mas a lenda fala mais alto. Em abril de 1988, o mais famoso pai-de-santo de Brasília, Pai Paiva, sacrificou um boi, quatro carneiros e oito galinhas-d’angola em oferenda a Xangô, o orixá da justiça. Descobriu-se que o boi vivo tinha sido ofertado por um ministro, Prisco Viana, da Habitação e do PMDB. Ministro baiano em terreiro só podia ser “despacho de umbanda” – e a ameaça acabou chegando, meio atravessada, ao terreiro de outro ministro e rival baiano, o desconfiado Antônio Carlos Magalhães, da Comunicações e do PFL.
Coincidência ou não, cinco meses depois um misterioso incêndio destruiu em menos de uma hora os seis andares do Ministério da Habitação, na W-3 Norte em Brasília. Só a garagem, no subsolo, ficou intacta. Queimou tudo, especialmente o arquivo pessoal de 25 anos de vida partidária de Prisco, incluindo fichas de eleitores, registros de conversas e anotações sobre episódios da política brasileira. Especialistas do candomblé dizem que os fatos estão relacionados, mas isto tudo pode ser apenas mais uma lenda baiana. ACM reagiu com uma gargalhada, quando ouviu a história de PLAYBOY: “Engraçadíssimo, nunca tinha ouvido falar nisso.”.
Quando se trata de ACM, acredita-se em lendas e duvida-se de fatos. Em fevereiro de 1989, ele sofreu um infarto violento na sua casa de Itaparica e sobreviveu por milagre. Na madrugada de sábado para domingo, ele via na TV o massacre de Mike Tyson sobre Frank Bruno, pelo título mundial dos pesos-pesados. O soco fatal do campeão pareceu atingir ACM em cheio: uma cólica fulminante lhe tirou o fôlego. Ele ainda viu Bruno cair e, minutos depois, era a sua vez de tombar no sofá. Atravessou a madrugada com a ajuda de comprimidos. Levado para o Hospital Português de Salvador, escapou mais uma vez, e por pouco, da morte. A cineangiocoronariografia já estava pela metade quando inesperadamente a máquina quebrou, interrompendo o exame. “Se tivesse continuado, o coração teria explodido, pois a região infartada estava muito fragilizada pela violência do infarto”, avalia ACM.
Essa ameaça só foi percebida ao ser levado de avião para o Instituto do Coração, em São Paulo. Estava tão debilitado que teve que aguardar seis semanas até enfrentar o bisturi. Nesse meio tempo não deixou de continuar bem informado. Era mantido longe do telefone, mas isso não evitava que as notícias de primeira mão chegassem até ele. No leito do Incor, ACM foi a primeira pessoa, fora do círculo familiar, que soube que o coração do octogenário Roberto Marinho também tinha sobressaltos, só que de outra natureza. Protegido pelo sigilo hospitalar, o dono da Rede Globo confessou ao amigo que estava apaixonado por Lilly de Carvalho, a ponto de se submeter a um novo casamento. Quando a hora da operação finalmente chegou, carregada dos riscos que o médico Antônio Carlos bem podia avaliar, ele teve um derradeiro encontro com seu maior apoio espiritual – o cardeal do Rio de Janeiro, Eugênio Salles, um amigo de quase 30 anos. A sós, rezaram juntos no quarto. “Mas não me confessei”, avisa ACM.
Passou nove horas e quarenta minutos na mesa de operações do Incor, em São Paulo, numa das mais difíceis cirurgias da carreira do experiente Adib Jatene, que já realizou mais de 20 000 operações desse tipo: três vezes o coração parou e ele, tecnicamente, morreu. Reanimado por equipamentos sofisticados, o músculo voltou a pulsar e ACM saiu dali com duas pontes de safena, duas pontes mamárias, um pedaço de pericárdio bovino e uma membrana de teflon implantados para reconstituir 20% do ventrículo esquerdo. A carga de anestesia empregada para uma cirurgia tão prolongada e complexa acabou alterando o seu agudo senso de realidade. Alguns dias após a circurgia, ACM despertou de madrugada num estado de franco delírio. Com a memória bloqueada por tanta química, imaginou estar num hotel. Levantou-se da cama, saiu do quarto, atravessou o corredor, pegou o elevador e desceu, sem despertar a atenção de nenhum médico ou enfermeira. Foi descoberto perambulando, desorientado, no estacionamento do hospital, vestindo apenas aquela ridícula túnica de paciente, amarrada nas costas por um laço precário que deixa o traseiro exposto ao vento.
Apesar disso, na época um deputado do PDT baiano estava convencido de que tudo não passara de uma armação ilimitada de ACM: “Isso é coisa do SNI”, afirmou. “Ninguém viu a cicatriz.” Mas ACM não perde tempo com subalternos. Ele gosta mesmo é de se nivelar aos maiores. No caso do PDT, bate de frente com o líder máximo do partido, Leonel Brizola, com quem já brigava no início dos anos 60, quando ambos freqüentavam o plenário da Câmara dos Deputados. “Brizola é um ingrato, deve a vida a mim”, brinca, relatando a cena em que apartou uma briga, em 1963, entre o então deputado do PTB de Jango e seu maior desafeto na época, o hoje senador capixaba João Calmon. Brizola partiu para cima de Calmon e foi contido por ACM, que conta: “Ele iria morrer, na certa, pois Calmon carregava sempre um revólver num coldre sob a axila.”
No ano passado, cansado de ver tanto dinheiro do governo Collor sendo canalizado para a “Linha Vermelha” de Brizola – a via expressa que liga o centro do Rio de Janeiro à Ilha do Governador -, ACM batizou de “Linha Verde” a sua rodovia do litoral norte baiano. “Não adiantou nada”, lamenta-se. “Dos 53 milhões de dólares, não recebi mais do que 4 milhões de repasse federal.” Em março, irritado com a propaganda do PDT na campanha do plebiscito, que incluiu ACM na panelinha dos parlamentaristas, ele mandou um fax bem-humorado a Brizola, pedindo para corrigir o equívoco. “Apesar de alguns adeptos do sistema, também sou presidencialista”, avisou, esclarecendo que o parlamentarista da família é seu filho, Luís Eduardo, líder do PFL. “Aliás, como é bom ter um filho que nos dá grandes alegrias!”, cutucou ACM, arranhando a fronteira familiar que ele tanto preza com uma alusão venenosa às dores de cabeça que Brizola volta e meia tem com sua irrequieta filha Neuzinha. E terminou com uma típica conclusão de Toninho Malvadeza: “Tenho motivos para acreditar que este equívoco não deve ter sido maldade de sua parte”, provocou.
Na Bahia de todas as crenças, existe um ditado muito vivo que resume a realidade fantástica da nação baiana: “Aqui, traficante se vicia, prostituta goza e cafetão se apaixona.” No terreiro do poder, Antônio Carlos Magalhães é um orixá que, na política, vicia, tem prazer e apaixona. Às vezes parece anjo, às vezes demônio. Um orixá capaz de enternecer, mas sem perder a malvadeza jamais.

Box: Jornalista ligou, ele atende

Venha de onde vier, a ligação de um repórter para o telefone 247 0022, em Salvador, nunca será desperdiçado. Ali, no Palácio de Ondina, residência do governador, vai atender outro repórter, talvez o melhor repórter político do país. A voz firme e a risada debochada vão identificar Antônio Carlos Magalhães. Afastado há trinta anos das redações, ele soube se manter próximo dos jornalistas mais importantes do país.
Por isso mesmo, o ginasiano que estreou precocemente no jornalismo, aos 16 anos, cobrindo futebol para o vespertino Estado da Bahia, ganhou agora em maio o reconhecimento definitivo da profissão que abandonou em 1960 para se dedicar integralmente à política: ACM foi devidamente identificado, em on, como a melhor fonte política da imprensa brasileira. No livro recém-lançado Manual da Fonte – Como Lidar com os Jornalistas, o repórter Geraldo Sobreira entrevistou alguns dos principais colunistas, repórteres políticos e chefes de redação no eixo Rio-São Paulo-Brasília para chegar à informação de cocheira que todo mundo já tinha: ACM, para o bem ou para o mal, é o grande informante da política. (A segunda melhor fonte, segundo o livro, é o chanceler Fernando Henrique Cardoso).
“ACM é o primeiro escalão da notícia”, afirma Sobreira. “Ele sabe o que interessa e a quem interessa.”. O jornalista Marcos Sá Correa, ex-editor do Jornal do Brasil e hoje editor especial da revista VEJA, acrescenta: “Antônio Carlos não é um mero depósito de informações. É uma fonte que sabe o que é notícia, com capacidade de analisar e de saber o peso que as coisas têm.” O diretor da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, Gilberto Dimenstein, completa: “É um político ultra-intuitivo, experiente, com inteligência acima da média.” Desde sua estréia como deputado federal, em 1958, ACM tem acompanhado de perto os fatos mais significativos de nossa História – às vezes centralizando a própria notícia, como no caso da resposta desaforada ao brigadeiro Délio Jardim de Mattos, que o acusava de desertar da candidatura Maluf, em 1984. “Trair a Revolução é fazer o jogo de um corrupto”, devolveu ACM, tirando o uniforme de “Toninho Malvadeza” da ditadura para vestir a camiseta de “Toninho Ternura” nos palanques das diretas.
ACM é o político que, como todo bom repórter, tem o talento e a sorte de estar ao lado da notícia na hora certa. Antes de redigir sua dura resposta ao ministro da Aeronáutica, ligou para o dono da Rede Globo. “Roberto, vou responder”, avisou, com a autoridade e a intimidade de um dos raros brasileiros dispensados de chamar o jornalista e empresário Roberto Marinho, seu amigo há 35 anos, de “doutor” – reverência observada, aliás, por qualquer presidente da República, civil ou militar. Ligar para “Roberto”, de fato, é uma rotina diária de ACM, que telefona para informar e ser informado.
Ele nunca deixa de atender ou retornar uma ligação, sem consultar agenda, apelando sempre para sua memória, que lhe permite relatar episódios com datas e detalhes fotográficos. Nos anos agitados de Juscelino, Jânio e Jango, nos bastidores do golpe de 1964, na sombra dos governos dos generais-presidentes, na transição para a democracia, no dramalhão do governo Collor, ACM movimentou-se com a agilidade de político e a curiosidade de repórter – e desenvolveu uma invejável capacidade de avaliação dos últimos 40 anos da política brasileira. Todas as sucessões presidenciais, a partir da queda de Jango, em 64, tiveram em ACM um profeta preciso. Até quando apoiou o coronel e ex-ministro Mário Andreazza, ele sabia que o vitorioso no Colégio Eleitoral de 1984 seria o nome do consenso – Tancredo Neves -, nunca Paulo Maluf. Por isso, antes mesmo da convenção do PDS, Antônio Carlos já manobrava a dissidência governista para apoiar a chapa da Nova República, a que ele acabou servindo como único ministro civil a atravessar todo o governo Sarney, na pasta das Comunicações.
Essa intimidade com o poder não evitou, porém, que ele cometesse o maior erro de avaliação de sua carreira: o apoio a Fernando Collor. “Ele sabia que havia ladroagem, chegou a pedir a cabeça de PC Farias, mas não acreditava no envolvimento do presidente, nem no impeachment”, diz um dos políticos mais ligados a ACM. Na verdade, acerta bem mais do que erra. Por isso, seu telefone não pára de tocar, mesmo durante as refeições. Nessas horas impróprias, ele tem um truque para abreviar a conversa: coloca uma garfada generosa na boca e só então pega o telefone. Fala mastigando com o repórter, para lembrar sem sutileza que a conversa não deve atrapalhar o almoço ou jantar. Mesmo quando o chamado é da Folha de S.Paulo, que costuma criticá-lo, ele não deixa de ser gentil com o repórter. “Teu jornal não gosta de mim, mas eu gosto muito de você”, declara, antes de entrar no assunto. Ele prefere também jantar em paz. O que não impede que, terminado o cafezinho, volte ao telefone, após a meia-noite, para mais uma rodada de conversa, madrugada adentro, com jornalistas dos grandes centros.
Fala tudo, sem constrangimentos, e apela pouco para o off, a notícia sem citação da fonte. Afinal, ACM é a própria notícia, fale o que falar. Alguns respeitáveis nomes da imprensa lhe atribuem a paternidade de uma impiedosa classificação de jornalistas em dois times distintos: os que querem favores, na forma de emprego ou dinheiro, e os que querem notícia. “O importante é que não se faça confusão, oferecendo favores a quem busca notícia ou dando notícia a quem quer favores” – teria sido esta a engraçada conclusão de ACM, que nega com veemência a autoria da frase e a visão indelicada para com a classe jornalística.
Com exclusividade para PLAYBOY, ACM listou as sete regras capitais de sua manual da boa fonte:

* ser bem informado;
* ter credibilidade;
* confiar no repórter;
* nunca colocar o repórter na pista errada;
* dar a devida importância a cada jornal, cada coluna, cada repórter;
* municiar o repórter para que ele não desperdice a ligação telefônica;
* fazer o repórter acreditar que ele é tão importante quanto o dono do jornal.

Nem sempre isso é possível. Tempos atrás, ele travou uma batalha divertida com Gilberto Dimenstein. Baseado num documento da Procuradoria-Geral da República, o jornalista disse que o governador da Bahia recebia uma aposentadoria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia sem nunca ter dado aula. ACM, de fato, embolsa a aposentadoria, mas não precisou provar que ela corresponde a aulas que tenha dado: uma ação popular contra ele movida na campanha de 1990 acabou prescrevendo. Ao ler o artigo de Dimenstein, respondeu com um telegrama pedindo que ele fornecesse “o atual endereço da senhora sua mãe para enviar a respectiva aposentadoria”.
Um assessor não entendeu o “atual”. Ele explicou: “É para o jornalista pensar que eu conheço o endereço antigo...” Dimenstein replicou, zombando do português precário da ofensa, que apelava para um “destinto (sic) jornalista”. ACM descobriu que o dicionário registra “destinto” como “sem tinta”. As provocações continuam. “Vejo que eu e o Dimenstein estamos pensando a mesma coisa do governo Itamar”, brinca Antônio Carlos. “No caso de ACM, o jornalista não deve ficar nem tão próximo que não possa informar, nem tão distante que não possa ser informado”, adverte Dimenstein. Na verdade, uma lição útil para qualquer repórter e toda boa fonte. E sempre saudável para o leitor.

Situação de ACM é irreversível

No Blog do Noblat, a 1h e 28m

"Antônio Carlos Magalhães, (DEM), três vezes governador da Bahia e duas senador, foi entubado há pouco no Instituto do Coração onde está internado há pouco mais de 40 dias. Os médicos que o atendem informaram a sua família que o quadro é irreversível. O desfecho, segundo os médicos, é questão de horas."

Um tributo ao "bom senso" de MAG

MAG, amanhã há de ser outro dia, no Youtube

Senhor assessor MAG,
procurei já hoje, vídeos de sua performance gestual no youtube. Ainda nao havia, mas na primeira oportunidade, trarei imediatamente ao blog. Já há um vídeo "rolando", mas nele o senhor fala, e como se não bastasse, fala do Hugo Chaves... Aí, não tem combate!

PEÇA DESCULPAS, MARCO AURÉLIO (com uma observação ao final)

Rodrigo Maia, presidente do DEM, divulga, no blog do partido, nota de protesto contra Marco Aurélio Garcia.
"PEÇA DESCULPAS, MARCO AURÉLIO"
"É estarrecedor e inaceitável que Marco Aurélio Garcia, o assessor mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falte com o respeito ao povo brasileiro e apareça, de público, fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República. Todos fomos atingidos pelos gestos desqualificados. Não é mais possível tolerar tanta indignidade. Não é possível que o assessor do presidente Lula se julgue no direito de atingir as famílias e a memória das quase 200 vítimas do vôo 3054 comemorando a hipótese de o Airbus 320 da TAM ter voado com um defeito no reversor da turbina direita. Não há o que comemorar, Marco Aurélio. Tudo que estamos vivendo é lamentável, deplorável e indesculpável. Em vez de ter preocupação com a dor das pessoas, ou manifestar interesse na busca de saídas para o caos aéreo, o governo, lastimavelmente, só se importa com a popularidade do presidente da República. E a Nação, além da dor, convive com o desamparo. Mas não somos obrigados e nem vamos conviver com a obscenidade. Peça desculpas, Marco Aurélio. E reze para que as pessoas tenham, em relação a você, a tolerância e o respeito que você não teve em relação a elas."

Rodrigo Maia
20 de julho de 2007
Presidente do Democratas
Observação: Nem sei mais se não cabe dizer que o assessor apareceu, "de público", fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República. O Palácio do Planalto é público e as janelas estavam abertas. Além disso, essa turma já provou que é capaz disso e muito mais. Mesmo assim, Garcia acusou a Globo de gravar as imagens de maneira "clandestina" (talvez creia que o Palácio esteja mesmo arrendado à turma) e disse que seu gesto foi de "indignação" contra quem culpou o governo Lula pelo acidente, o que confirma a tese de Rodrigo Maia. "Comemorando" a hipótese de o Airbus 320 da TAM ter voado com um defeito no reversor da turbina direita, mostrou sim que o que importa é a popularidade do presidente da... República (?).

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O 'sempre mestre' Paulo Bernardo

"Agora vem o show de falações, frases de efeitos, especialistas pra lá, especialistas pra cá, CPI's teatrais, tal como vimos no último desastre que calou o país. Já está sendo considerado um dos piores horrores da história da aviação. Que Deus conforte a todos neste momento de dor."

O tio está certo.

E ainda...

... no youtube, o mesmo pouso em condições adversas. Coisa de maluco...

Pousando, da cabine, em Congonhas.

Enquanto isso, para os que vão escapando...

36ª posição

Ainda no ex-blog do César Maia:
O ACIDENTE COM O AIRBUS DA TAM, QUE CAIU NA NOITE DESTA TERÇA-FEIRA NO AEROPORTO DE CONGONHAS, EM SÃO PAULO, OCUPA A 36ª POSIÇÃO NO RANKING DOS PIORES ACIDENTES AÉREOS DA AVIAÇÃO MUNDIAL, ORGANIZADO PELA AVIATION SAFETY NETWORK.
A lista considera apenas as vítimas a bordo das aeronaves, sem contar eventuais mortos no solo. A tragédia com o Airbus A-320 da TAM empata com o maior acidente aéreo já ocorrido na América Latina, em 1977, no Suriname, quando um avião da Surinam Airways, vindo da Holanda, teve problemas de visibilidade na hora da aterrissagem por causa do mau tempo e atingiu árvores próximas à pista, levando à queda e à explosão da aeronave. O acidente também provocou a morte de todos os 176 passageiros e tripulantes a bordo.

Accountability (responsabilização)

No ex-blog do César Maia (para assinantes), esta manhã:

AEROPORTOS!

1. Ontem -no Rio-Centro, durante o PAN- a assessoria de comunicação do governo federal distribuía para a imprensa alguns "papers" sobre o que o governo federal vem fazendo. Um deles tinha o seguinte título: MINISTÉRIO DO TURISMO APLICA 107 MILHÕES DE REAIS. Quando se lê o texto se verifica que estes 107 milhões de reais foram aplicados no novo terminal do aeroporto Santos Dumont no Rio. Como a Infraero pertence ao Ministério da Defesa, fica-se pensando na seriedade daquele "paper".

2. Mas se a Ministra do Turismo se atribui responsabilidade sobre as obras de um aeroporto interno do Rio, por muito maior razão deve se atribuir responsabilidade sobre as obras do maior deles, o aeroporto de Congonhas. Coerentemente, a ministra deverá ser ouvida sobre as obras de lá... assim como chama a si, as de cá.

Arnaldo Ramos Batista

No Blog do Noblat há uma homenagem a Arnaldo Ramos Batista, um dos funcionários da TAM morto no acidente. No orkut (só para membros) você pode visitar a página e postar uma homenagem, caso queira.

No programa 'Hoje em dia', da Rede Record, esta manhã

O Cel. Franco Ferreira, da reserva da Aeronáutica e especialista em segurança de vôo:

- “Os ângulos das imagens comparadas são diferentes.”

- “A imagem divulgada é feita sob um ângulo de 30º. Não se pode fazer isso. Tal angulação não permite a aferição real da velocidade do avião.”

- “O avião pousou em velocidade aceitável, caso contrário, o trem de pouso não teria sido baixado. Não fosse assim, o avião bateria no chão. Há restrição de velocidade.”

- “O avião pousou normal, mas por algum motivo, não desacelerou.”

- “Faltaram-lhe os freios.”

- “Poderia ter acontecido hidroplanagem, não necessariamente os 3 milímetros propalados. Caso de pista lisa.”

- “A falha humana pode estar presente, mas no momento posterior às imagens mostradas, lá no fim da pista.”

- “Imagino, estou elucubrando, que o aviador, em tentativa desesperada, tentou arremeter. Não deu certo porque as asas não tinham fluxo de ar suficiente.”

- “Todos os acidentes são do lado esquerdo”.

- “Se estivesse comandando um avião desse porte, sabendo que a pista está sob chuva, eu não pousaria em Congonhas”.

Relembrando Diogo Mainardi, em 22 de março de 2007

Já que postei um texto da Luciana Genro, dou uma guinada à direita e trago a contribuição de Diogo Mainardi, que se relaciona intimamente com as denúncias e apurações de Luciana Genro. Mas Mainardi não denuncia apenas o PT. Sobra para o PSDB também. Por isso, vale muito a pena escutar esse e os demais 'podcasts' da época (15 e 29 de março) . Sobretudo para aprendermos a não desqualificar o oponente simplesmente pelo fato de ser... oponente.

No Podcast:

"Carlos Wilson e a oficina do sogro Francisco BrennandO deputado petista Carlos Wilson foi presidente da Infraero no primeiro mandato de Lula. Seu nome é associado a suspeitas de irregularidades na reforma de aeroportos. Carlos Wilson é genro do artista Franciso Brennand, que além de ser um grande escultor é dono da Oficina Brennand, que produz azulejos e pisos de cerâmica. Os azulejos e pisos de cerâmicas da Oficina Brennand foram usados na reforma dos aeroportos de Recife, Maceió e Congonhas."

Carlos Wilson
Mandatos Eletivos:
Deputado Federal, 1975-1979, PE, ARENA. Dt. Posse: 01/02/1975;
Deputado Federal, 1979-1983, PE, ARENA. Dt. Posse: 01/02/1979;
Deputado Federal, 1983-1987, PE, PMDB. Dt. Posse: 01/02/1983;
Vice-Governador (Constituinte), 1987-1990, PE, PMDB;
Governador, 1990-1991, PE, PMDB;
Senador, 1995-2003, PE, PSDB;
Deputado Federal, 2007-2011, PE, PT. Dt. Posse: 01/02/2007.
Filiações Partidárias:

ARENA, 1974-1979; PMDB, 1980-1992; PSDB, 1993-1999; PTB, 1999-2002; PT, 2003-.
Atividades Profissionais e Cargos Públicos:
Assessor da Presidência, INCRA, 1972-1973; Subchefe do Gabinete da Presidência, INCRA, 1973-1974; Secretário Nacional de Irrigação, 1992-1993; Tesoureiro da Executiva Nacional, 1994; Presidente, INFRAERO, 2003-2006.

E-mail encaminhado pelo colega de pós-graduação, Max Costa.


Amigos,

nesse momento de consternação e pesar que envolve os trabalhadores brasileiros, envio, abaixo, nota pública do mandato da deputada federal Luciana Genro - PSOL/RS e membro titular da CPI do Apagão Aéreo - sobre o acidente com o avião da TAM.
Um abraço,
Max Costa

NOTA SOBRE ACIDENTE AÉREO COM VÔO 3054 DA TAM18/07/2007

Dez meses depois do grave acidente com o avião da GOL, uma nova tragédia volta a abater o país. O trágico acidente com o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas, causa consternação nos gaúchos e assusta os brasileiros pela falta de segurança dos aeroportos e do tráfego aéreo no país. Queremos expressar nosso profundo pesar pelas vidas ceifadas, pela dor dos feridos, dos familiares e amigos. E manifestar nossa mais irrestrita solidariedade àqueles que, nessas circunstâncias, necessitem de amparo, colocando à disposição nosso mandato em qualquer eventualidade.
A perda irreparável de cerca de duzentas vidas humanas, inocentes diante da irresponsabilidade das autoridades, convoca todos nós, brasileiros, a uma profunda reflexão. E nos remete a assumir a responsabilidade por lutar para que novas tragédias como estas não voltem a acontecer. É preciso, neste momento, com sobriedade, tomar imediatas medidas que possibilitem o esclarecimento e apuração dos fatos, bem como a punição dos responsáveis. Por isso, e para o bom andamento das investigações e apuração de responsabilidades, exigimos como medida saneadora, a renúncia de seus cargos do Ministro da Defesa, Waldir Pires, do Presidente da Infraero, Tenente-brigadeiro José Carlos Pereira, bem como a identificação e prisão imediata da autoridade responsável pela liberação da pista em construção do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Entendemos que tais procedimentos são irrenunciáveis para que possamos chegar à verdade dos acontecimentos envolvendo esse trágico acidente.
A situação do tráfego aéreo e dos aeroportos brasileiros ultrapassou todos os limites da irresponsabilidade no exercício de funções públicas. Há quase um ano vimos denunciando que o sistema de tráfego aéreo e da infra-estrutura aeroportuária sofre de sucateamento e negligência por parte da Infraero e do Comando da Aeronáutica. Há meses sabemos da existência de um acordo entre o governo, os partidos que lhe dão sustentação no Congresso, e o PSDB e o DEM para que não sejam investigadas as verdadeiras causas desses problemas, que residem na prática de corrupção na Infraero no governo atual e em governos anteriores, na militarização de um setor que necessita de gestão pública civil e técnica, na superexploraçã o dos sargentos controladores que são obrigados pela hierarquia a desrespeitar normas internacionais de segurança. Todo mundo já se deu conta de que os controladores, que tentaram denunciar essa situação, foram perseguidos, afastados de suas funções ou presos ― acusados de "sabotadores" pelo Presidente Lula. Os controladores, afirmamos desde o princípio, foram usados como bode-expiatório para esconder as irregularidades e irresponsabilidades de quem ocupa funções de comando no tráfego aéreo brasileiro.Agora, é preciso que as autoridades reconheçam que mentiram para a população ao afirmar a culpa do acidente da Gol foi exclusivamente do piloto do Legacy e dos controladores.
Agora é preciso que os controladores possam falar livremente sobre os problemas do tráfego aéreo brasileiro. Agora é preciso que os 14 controladores afastados do Cindacta 1, de Brasília, sejam recolocados em seus postos para que possam seguir servindo à segurança dos usuários de transporte aéreo civil em nosso país. Chega de mentiras. O acidente com o avião da TAM poderia ter sido evitado. Mas os desmandos do comando militar, insensíveis às pressões da sociedade, mas obedientes aos interesses comerciais e de lucro das empresas do setor, que sobrecarregam os aeroportos com excesso com vôos, prevaleceram.
O acidente com o airbus da TAM poderia ter sido evitado. Mas o relator da CPI do Apagão Aéreo, Deputado Marco Maia (PT-RS) preferiu fazer um relatório parcial, apresentado na semana passada, em que ignora todos os alertas dos sargentos controladores e dos pilotos, bem como todas as denúncias que chegaram à CPI apontando os problemas estruturais dos aeroportos e do tráfego aéreo brasileiro. A própria CPI na Câmara ignorou até mesmo as denúncias de corrupção levadas ao Congresso pela empresária Silvia Pfeiffer, que na semana passada teve vasculhados os documentos que se encontravam em seu quarto, em hotel de Brasília, após prestar depoimento na CPI do Senado. O acidente com vítimas fatais no aeroporto de Congonhas, insistimos, poderia ter sido evitado. Mas a autoridade pública responsável pela liberação da pista do aeroporto de Congonhas resolveu liberá-la mesmo antes de estar efetivamente concluída, sem o chamado "grooving" ― ranhuras feitas na superfície do pavimento que facilitam o escoamento de água ― contribuindo, assim, para a ocorrência da tragédia. Agrege-se a isso, o fato de a reforma da pista do aeroporto de Congonha ter levado anos para acontecer, ainda que incompleta, longe da prioridade que receberam as obras que transformaram os aeroportos brasileiros em verdadeiros shoppings centers. O acidente poderia ter sido evitado se tantos interesses expúrios não conspirassem contra a verdade da situação do tráfego aéreo brasileiro e se, ao menos restasse um pingo de dignidade nas autoridades que comandam o país.
O povo gaúcho está consternado com a perda de seus conterrâneos. Os brasileiros, assustados diante de tantos desmandos. Só nos resta lutar para que a verdade, a justiça e a solução responsável desses graves problemas prevaleça. Por isso, queremos a formação de uma Comissão de Emergência para elaborar um Plano de Reforma do Sistema de Tráfego Áereo Brasileiro, constituída por representantes das associações de controladores, das associações de pilotos e outras entidades afins da sociedade civil. O governo já demonstrou incompetência, negligência e irresponsabilidade para a resolver o problema. Resta-nos, agora, buscar uma nova solução.
Luciana Genro, Dep.Federal /PSOL-RS e Membro titular da CPI do Apagão Aéreo
Roberto Robaina, Presidente do PSOL do Rio Grande do Sul.