Tive, em setembro de 2002, a oportunidade de conhecer o aeroporto de Congonhas. Na ocasião, fiquei muito mal impressionado com a infra-estrutura do aeroporto, bem como com a "excessiva intimidade" entre aviões e zona urbana.
Em relação à infra-estrutura, lembro que mal havíamos desembarcado e já estava sendo efetuado o novo embarque. Percorri, esbaforido, um longo corredor e, para o meu espanto, o avião no qual prosseguiríamos estava ao lado imediatamente oposto do que acabávamos de desembarcar. Tudo isso percorrendo o pátio a pé, algo absolutamente arcaico e contrário às recomendações internacionais. Muito em breve (???) nem o glorioso "Internacional de Macapá" irá permitir tal modalidade de embarque.
Quanto à intimidade, aviões beliscando as janelas dos apartamentos, manobrando praticamente sobre os carros que passam em uma das suas mais importantes avenidas, a Washington Luís.
É, portanto, simplesmente vergonhoso para o estado de São Paulo, permitir ainda o seu funcionamento.
Tomara que os cidadãos brasileiros, usuários daquele equipamento, se conscientizem que a tal praticidade tão decantada tem uma relação "custo x benefício" trágica, horrenda, mortífera.
Assistiremos agora a mais um debate cínico e pouco humano acerca das causas do acidente. De um lado, governo torcendo para que as perícias livrem a cara da pista recém-inaugurada. Opositores loucos para debitar a conta dos óbitos na gestão petista. Empresa entre a cruz e a "caldeirona": mesmo com a sua responsabilidade objetiva configurada, a condenação da pista implica em perder os lucros auferidos com a movimentação do aeroporto. ANAC? Infraero? Humpf...
Mesmo que se constate a culpa do piloto, temos um importante traço de personalidade de uma sociedade do lucro excessivo revelado: ele, ser humano que é, não tem, naquela pista, um dos direitos mais inerentes, qual seja, o de errar.
Às famílias, nossos sentimentos. À sociedade, a lição e o alerta. Às autoridades, vergonha na cara: o fechamento daquele aeroporto é a homenagem minimamente justa aos que padeceram em mais esse holocausto proporcionado pelos 'gestores' do sistema aéreo nacional.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Pelo fechamento imediato de Congonhas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário