Torcia pela condenação de Renan, mas não pelo conjunto da obra. Fosse por causa dela, teríamos de ter novas eleições! É que eu tinha a impressão que ele não seria um Roberto Jefferson, frouxo, fanfarrão... Eu cria que ele abriria o bocão! Mas ainda não foi dessa vez. E ele explica o porque: No título da nota acerca do assunto, Noblat afirma que "Renan intimidou senadores". Mas não vejo assim. Ele apenas apontou a hipocrisia da turma. Gosto sempre de citar uma das máximas do jornalista Lúcio Flávio Pinto, que diz que políticos quase sempre têm razão quando acusam, mas nunca quando se defendem. Enfim, vamos a Renan:
"- Senadora Heloísa Helena. A senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas. Deve mais de R$ 1 milhão. Tenho um documento aqui que prova isso. E nem por isso eu o usei contra a senhora - disparou Renan Calheiros ao se defender da tribuna do Senado pouco antes de ser absolvido pela maioria dos seus pares.
- É mentira, mentira - gritou a presidente do PSOL sentada no meio do plenário. Pouco antes, ela subira à tribuna para atuar como advogada de acusação.
Renan não deu bola para a reação de Heloísa. Em seguida, virou-se para Jefferson Perez (PDT-AM) e comentou:
- Veja bem, senador Jefferson Perez. Eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante dele] como funcionária do meu gabinete. Mas não o fiz.
Perez nada disse. Ouviu calado.
Então foi a vez do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Renan disse olhando diretamente para ele:
- A Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado. Eu não fiz isso.
Simon ouviu calado.
Registre-se que o clima de intimidação dos senadores começou a ser criado logo no início da sessão quando discursou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Ele foi o primeiro a falar.
Duas pérolas produzidas por Dornellles:
- Crime tributário não é causa para quebra de decoro.
- Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.
Dornelles foi secretário da Receita Federal no governo de João Figueiredo, o último general-residente da ditadura de 1964. E depois foi ministro da Fazenda do governo José Sarney.
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